Não é só a música que movimenta o universo dos streamings de áudio. Os podcasts, que são conteúdos bem semelhantes com os programas de rádio, tem conquistado cada vez mais espaço em plataformas espalhadas pelos smartphones e pela internet. O apelo todo desse conteúdo fica por conta da variedade e do formato on demand – que permite que o público escute o que quiser, onde quiser e quando quiser. 

A força é tamanha que o Spotify lançou nos últimos dias uma campanha voltada especialmente para o formato, destacando os conteúdos presentes no serviço, como os podcasts “Mamilos”, o “Nerdcast” e “Papo Torto” – que estão entre os mais consumidos da plataforma. A gigante Google também apostou no conteúdo, lançando no primeiro semestre um aplicativo de podcasts para aparelhos Android. E somente na plataforma da Apple (pioneira em receber esse tipo de conteúdo) são atualmente 550 mil podcasts disponíveis em mais de 100 idiomas. 

E se o mundo está de olho dos podcasts, Minas não fica atrás. A produção do Estado tem se tornado tão significativa que motivou até mesmo a criação de um encontro oficial voltado para o tema: o uaiPod. “Começamos como um grupo no Telegram, em 2016, reunindo produtores de podcasts mineiros para trocar ideias, colaborações”, lembra Marcelo Cafieiro, um dos membros do grupo, que também conta com os podcasters mineiros Rodrigo Cornelio (com quem ele produz o “Entre Fraldas”, sobre assuntos relacionados à paternidade), Karin Voll, do “X-Poilers”, Priscila Armani do “O Que Assistir” e Ana Eliza do “PodProgramar”. 

Apesar do início sem grandes pretensões, a iniciativa acabou tomando novos rumos, dando origem a um encontro presencial reunindo interessados de todo o Estado. Até agora já foram três edições – a próxima já está sendo planejada e deve acontecer em abril de 2019. “Acreditamos que encontros regionais têm um poder grande para apresentar a mídia para a comunidade e aproximar os produtores das audiências”, pontua Cafieiro.

Se o encontro já era uma grande expansão, o projeto ainda tomou outras dimensões com a produção de um podcast focado exclusivamente na produção mineira do formato. Cafieiro conta que atualmente o grupo possui 40 membros ativos. “À frente da organização dos encontros e das gravações somos cinco podcasters que se alternam na função de apresentar os conteúdos”, explica. 


Cenário mineiro

Cafieiro sublinha que a produção do Estado tem se tornado maior e mais estável. “Cada vez mais pessoas se interessam pelo conteúdo e isso reflete no trabalho dos produtores, que possuem uma audiência cada vez mais fiel e em constante crescimento”, afirma. 

Além disso, ele ainda destaca a atuação feminina no campo. “Temos mulheres no comando de podcasts sobre programação, cultura pop, filmes e até futebol”, enumera, ressaltando que a representatividade é um ponto importante para o uaiPod. “Temos a intenção de manter uma mesa fixa sobre esse tema em todas as edições”. 

Segundo ele, a diversidade temática dos podcasts é outro sinal positivo. “Se antes podcast era sinônimo de cultura pop, assuntos nerds e tecnologia, hoje já vemos produções de todos os tipos e formatos, feitos por pessoas diferentes que mostram o quanto todos tem algo a dizer neste formato”, concluí. 

PodProgramar

PODPROGRAMAR – Na imagem, a programadora e podcaster Ana Eliza Freitas, em uma de suas gravações 

Praticidade e experiência única são pontos fortes do formato

Não há dúvidas de que os podcasts têm se tornado fontes de conteúdo cada vez mais procurados. A diversidade de temas é um dos pontos positivos deste universo: podem ir desde filmes e séries, como nos mineiros “O Que Assistir” e “X-Poilers”, até assuntos como programação como no “PodProgramar”.

Mas, para além da multiplicidade de conteúdos, outros pontos corroboram para que o formato conquiste cada vez mais o público. “Acredito que, por ser comumente distribuído em áudio, o podcast é uma mídia intimista, que proporciona uma experiência inigualável, como se você estivesse conversando no pé do ouvido com alguém”, pontua a podcaster mineira Karin Voll. 

O formato em áudio é outro fator que fortalece o sucesso deste tipo de mídia. “Por não contar com um estímulo visual, o podcast permite o consumo com atenção dividida, podendo nos fazer companhia em atividades que não requeiram um nível excessivo de concentração”, diz Voll.

Como os conteúdos costumam ser consumidos individualmente, através de fones de ouvido nos celulares, computadores ou auto-falantes, ela ressalta ainda a praticidade do formato, que pode ser ouvido em qualquer lugar. “É possível ouvir na academia, enquanto lava louça ou realiza outras tarefas de casa, no transporte público, no carro enquanto dirige, ou mesmo, dependendo da situação e da pessoa, durante o trabalho”, exemplifica a podcaster. 

Podcasts
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