Ana Beatriz Monteiro de Moura é proprietária de uma creche e hotelzinho de pets, no bairro Alto Barroca, região Oeste de Belo Horizonte. A empresária, que também é especialista em comportamento animal, afirma que o fim do home office para muitos profissionais fez crescer em 25% a procura por esses ambientes, de julho até agora, em comparação com todo o primeiro semestre deste ano.

“Temos recebido muitos ‘cachorros da pandemia’, alguns diagnosticados com a ‘ansiedade da separação’. Com a pandemia mais controlada, muita gente tem buscado a creche, pois os donos não querem deixar o bichinho chorando em casa o dia todo, sozinhos”, pondera.<EM>

Adaptação
A maioria desses pets precisa fazer uma adaptação gradativa, aponta Ana Beatriz Moura, para suportar a saudade que sentem do dono nos períodos em que eles ficam fora de casa. “A gente faz igual nas escolinhas para crianças, em um dia os bichinhos ficam por um período de duas horas; no outro, a permanência aumenta em mais uma hora e, assim, sucessivamente”, conta. Para Ana Beatriz, os grandes beneficiados são os próprios animais. “Eles ficam mais tranquilos, o gasto de energia também aumenta e podem exercer comportamentos naturais da espécie, evitando que roam camas, sofás e danifiquem objetos”, completa.

Guga tem 7 anos e há 6 frequenta a creche. Sua dona, a psicóloga Janaína de Moura Faria Fidelis, conta que ela e o marido trabalharam 100% em modo remoto ao longo desta pandemia de Covid-19 e agora estão retornando aos poucos às atividades presenciais. Segundo ela, Guga se apegou muito ao casal, chegando a ficar ansioso quando eles saiam para atividades essenciais.

“Ele latia, queria ir junto. Então, garantir uma rotina na qual ele soubesse a hora de sair, entendesse os momentos de brincar e os de ficar em casa foi fundamental para nós. Tenho certeza de que a creche é o segundo lugar que ele mais gosta no mundo, depois da nossa casa”, brinca Janaína.

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