O trabalho primoroso realizado por marcas mineiras com DNA handmade é um dos motivos pelos quais salões de negócios de moda nacionais e internacionais têm presença marcante das grifes da nossa terra. De São Paulo à capital dos Emirados Árabes, Abu Dhabi, ou mesmo em Paris, as empresas afirmam valer a pena o investimento em logística e a exaustão de participar de um evento atrás do outro.

Há 15 anos reunindo o que há de melhor na moda brasileira, especialmente para o mercado de luxo, o Salão CasaModa, que acontece na capital paulista duas vezes ao ano, é composto, em mais de 35%, por marcas de Minas.

Vestido de festa, Kalandra

Kalandra mescla tecidos nobres a bordados primorosos

Uma delas é a Kalandra, que participa há cinco anos do evento. Do total comercializado em cada coleção, o CasaModa representa entre 25% e 30%. “Os nossos compradores nessa feira são, em maioria, do estado de São Paulo. É muito vantajoso para a Kalandra estar presente”, revela a diretora-comercial Ana Flávia Castro.

Igualmente, a receita final de pedidos do semestre na Skazi – que apresenta peças mais joviais e ousadas – é impactada positivamente pelo evento, em torno de um terço do faturamento global. 

“A empresa adquiriu, no decorrer dos anos, know-how na logística de transporte das peças e administração do fluxo de informações, independentemente do local em que esteja”, expõe o head de marketing da grife, Diego Reis.

Da mesma forma, a expertise da equipe da Arte Sacra é apontada por Carolina Malloy, uma das diretoras-criativas, como diferencial para sucesso nas feiras de moda. 

“Salões de negócio são, por si só, ações muito trabalhosas e de grande importância. Como se trata do nosso momento de ter contato com o cliente, cuidamos para que tudo saia perfeitamente e esteja à altura do que esperam da nossa marca. Com a experiência, a equipe já se organiza e oferece um atendimento impecável”, afirma a empresária.

Lá fora

As feiras de moda internacionais movimentam, ainda, as vendas das grifes de Minas. Nesses locais, é possível, além do fechamento de pedidos, a prospecção de potenciais clientes.

“Expor em salões de negócios nacionais e internacionais sempre foi um desejo muito grande. Mas minha expectativa ainda não foi superada. Quero estar em outros países também. Já tenho uma meta traçada para o ano que vem, que é entrar na Coterie, que acontece em Nova York, e expandir mais os mercados. As primeiras vendas internacionais aconteceram no Minas Trend, de forma espontânea”
Denise Valadares
Estilista

Com apenas três anos de marca, a jovem estilista Denise Valadares estreou, no último mês, em salão de moda de Dubai, nos Emirados Árabes. 

“Foi um convite de uma multimarca brasileira para a qual vendemos, que mostrou oito grifes com o DNA do feito à mão para levar o que Minas tem de melhor”, relembra.

Os países do Oriente Médio, inclusive, são compradores frequentes da Arte Sacra. “São muito fortes, seguidos dos países da Europa Ocidental. Estamos em processo de internacionalização e estar fisicamente presente em eventos no exterior é parte da nossa estratégia”, declara Carolina Malloy.

Neste ano, quem também estreou nas mostras internacionais foi a Skazi. A marca já esteve duas vezes na Coterie, em Nova York, e na Tranoï, em Paris.

“Para o exterior, reduzimos o mostruário, que geralmente é de cerca de 800 peças. Selecionamos 70 itens que, juntos, contam um enredo coeso e forte comercialmente para o cenário do cliente internacional”, informa Diego Reis.

Coterie NYC

A Coterie é uma das feiras de moda mais conceituadas do mundo; representantes do evento estiveram no último Minas Trend para selecionar marcas

Além Disso

A agenda apertada de salões de negócios de moda no Brasil e exterior, sendo praticamente em uma sequência, não reduz o potencial de vendas de um ou do outro, afirmam os empresários.

Carolina Malloy

Carolina Malloy em Abu Dhabi

“No nosso caso, felizmente, não. Garantimos um atendimento personalizado, mesmo fora do período de feiras, conseguindo nos adaptar às agendas delas”, destaca Diego Reis, head de marketing da Skazi.

Já Carolina Malloy, diretora-criativa da Arte Sacra, acredita que os eventos são complementares. “Cada um é uma nova oportunidade de manter clientes que já temos há anos, além de expandir a nossa presença nacional e internacionalmente”, coloca.

As particularidades de cada salão de negócios são apontadas pela diretora-comercial da Kalandra, Ana Flávia Castro, como motivo para estar presente em todos.

“No CasaModa, por exemplo, a maioria dos compradores é de São Paulo. Já no Minas Trend, recebemos mais clientes do Nordeste. Em ambos, levo minha equipe de vendas completa”, conta.

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