Imagine interagir com Darth Vader, aprender japonês através de mangás ou jogar videogame dentro de um museu dedicado ao universo das minas, dos minerais e dos metais? Quem já está mergulhado na cultura nerd ou mesmo os que “só” curtem o colorido e a diversão dos cosplayers têm um ótimo ponto de encontro neste fim de semana na capital.

No mês em que se celebra o dia do Orgulho Nerd (25 de maio), o Museu das Minas e do Metal, na Praça da Liberdade, abre as portas para um evento que inclui, além do tradicional concurso de cosplay, apresentações de grupos covers de K-pop e bate-papos sobre o universo geek. (Se você ficou perdido no palavreado, confira nosso glossário).

Na terceira edição, o evento “O Museu é Nerd” se constitui como uma forma própria e potente de consumir essa cultura pop.

“Ele oferece algo que não pode ser feito em casa ou em uma loja. Games são mais divertidos quando jogados ou comentados em grupo. O cosplay é mais divertido quando você mostra para outra pessoa”, pontua Vitória Barros, uma das organizadoras. 

A programação começa neste sábado (18) com uma hora gratuita de Just Dance, game de dança em que os jogadores precisam copiar os movimentos que aparecem numa tela, no videowall do MM Gerdau. 

Em seguida tem bate-papo e quiz com os membros do Conselho Jedi Minas sobre a saga Star Wars, além de uma oficina de criação de aplicativos para celular, desfile de moda alternativa do japão e mesas de RPG. 

Vitória Barros ressalta que por reunir diferentes segmentos do universo geek e nerd, eventos como esses acabam sendo também forma importante de confraternização e aproximação de pessoas com hobbies e interesses em comum. “Fortalece o senso de grupo e de pertencimento”, pondera, acrescentando a desmistificação do estereótipo de nerds como figuras solitárias. 

Engana-se quem pensa que a programação é voltada apenas aos nerds “de carteirinha”. Fãs e curiosos têm a oportunidade de conhecer novas atividades e descobrir novos interesses. Para os recém-chegados a esse universo, dica é o espaço “Cosplay Por Um Dia”, que permite aos visitantes experimentar fantasias, acessórios e tirar fotos caracterizados como seus personagens favoritos.

“Já ouvi pessoas comentando que o cosplay é uma coisa infantil ou estranha, que é um hobby banal”, lamenta a cosplayer Nathalia Campos, para quem o evento permite a outras pessoas enxergar o cosplay de outra forma. 

“Normalmente as pessoas ficam impressionadas quando veem os cosplayers e se aproximam. Aí conseguimos explicar um pouquinho da cultura, o que ajuda a expandi-la”, conta Paula Kamei, uma das juradas dos concursos desta edição do evento.

Para Clarissa Lopes, uma das integrantes do coletivo RPGirls, a participação no evento do fim de semana é uma forma de mostrar que jogos não dependem apenas dos consoles de videogame. “Com o coletivo, trazemos essa outra possibilidade”. 

Paula Kamei

COSPLAY – Vencedora da última edição do concurso com o personagem Ciel Phantohive, a cosplayer Paula Kamei será uma das juradas da competição deste ano

 

Glossário

CULTURA NERD - Termo que ficou mais conhecido no Brasil na última década é usado para caracterizar pessoas que consomem muita tecnologia e outros produtos da cultura pop, como séries, filmes e quadrinhos. Expressão é espécie de sinônimo mais “light” de nerd.

GEEK - É também um sinônimo para nerd, e ambas palavras são gírias muito usadas para caracterizar pessoas com jeito peculiar, muito intelectuais e que geralmente têm muita afinidade com tecnologia, eletrônica, jogos eletrônicos ou de tabuleiro

K-POP -  Gênero musical originado na Coreia do Sul, que se caracteriza por uma grande variedade de elementos audiovisuais.

COSPLAY - Junção dos temos inglês costume (fantasia) e roleplay (brincadeira ou interpretação). Adeptos se fantasiam de personagens fictícios da cultura pop japonesa.

RPG - Jogo que funciona como espécie de contação de história coletiva; cada jogador representa um personagem e reage a situações colocadas na partida. 

 

museu é nerd

DIVERSIDADE – Mostra de objetos de filmes e séries

 

Evento estreita a relação entre a cidade e o museu

Se, para o público nerd, o evento surge como importante aliado para suprir a carência de agendas voltadas para o universo geek, o museu também sai ganhando. 

Para Luciana Amormino, coordenadora da programação do Museu das Minas e do Metal, “O Museu é Nerd” ajuda a reforçar o vínculo entre o espaço e a cidade. “Sempre víamos o entorno, principalmente a Praça da Liberdade, receber encontro de cosplays. A partir disso entendemos que abrir as portas do Museu para esse público seria uma forma de propor reflexões sobre a diversidade cultural e mostrar que estamos abertos a várias linhas de pensamento”, diz. 

Além disso, ela acredita que a presença de atividades que tragam um universo tão popular como a cultura nerd – que tem expandido com o sucesso das séries, dos filmes de super-heróis e o crescimento da música pop coreana, o K-pop – ajuda a desmistificar a imagem elitista costumeiramente atribuída aos museus. “Mostramos que esses lugares não são espaços sisudos, onde as pessoas não são bem vindas”, destaca.

A gratuidade do evento é outro fator que contribui para a democratização do acesso à programação. “Isso torna o evento mais inclusivo. Assim, todo nerd, de todas as regiões da cidade, além de famílias, curiosos e pessoas que estão só de passagem, podem adentrar nesse ambiente e desfrutar dele sem desembolsar valores altíssimos que costumam ser cobrados em vários eventos do gênero que acontecem na cidade e em outros estados”, afirma Vitória Barros, uma das organizadores de “O Museu é Nerd”. 

Para ela, a iniciativa ainda pode ser ampliada. “A tendência é que esse público comece a ocupar espaços que não se limitam somente às convenções de quadrinhos”, projeta ela, que cita, por exemplo, a realização de concursos de cosplay em espaços como shoppings.