Quem acompanha esse espaço dedicado a games, no Caderno Plural, deve se lembrar de nosso texto sobre os 25 anos de “Duke Nukem 3D”, em 23 de janeiro. Game que ajudou a sedimentar os jogos de tiro em primeira pessoa. Agora voltamos para falar do trágico “Duke Nukem Forever”.

O jogo chegou ao mercado em meados de 2011, para ser a sequência direta do game anterior, que foi um grande sucesso. Tanto que foi anunciado em 1997, um ano após a publicação de “DN3D”. 

O pessoal da 3D Realms ficou animado com a recepção do game e logo iniciou o desenvolvimento prometendo revoluções. Mas o projeto nasceu com uma caveira de burro enterrada no estúdio. 

Depois de arrastar por longos 14 anos, o game estreou em junho de 2011 para PC, PS3 e Xbox 360. Em 18 de agosto, saiu a edição para Mac. E o resultado foi catastrófico. 

Isso porque ele foi pensado com os olhos da década de 1990. Acontece que nesse período nasceram franquias como “Half-Life”, “Medal of Honor”, “Call of Duty” e “Halo”. Até seus contemporâneos “Doom” e “Wolfenstein” ganharam novos games. Assim, quando “Forever” estreou, já era um jogo velho.

Em 2014, o presidente da Take-Two, Strauss Zelnick, reconheceu que o título foi um grande erro. “Nossa empresa teve poucos fracassos, mas devo admitir que Duke Nukem Forever foi culpa de uma decisão equivocada que tomei”, afirmou. 

O que se passa

A história de “Duke Nukem Forever” se passa 12 anos após Duke salvar o mundo de uma invasão alienígena. O herói politicamente incorreto se tornou a bola da vez. Celebridade, Duke criou seu império com empresas, programa de televisão. Escatológico, o game começa com Duke urinando num mictório do vestiário de um time de futebol americano. Ele pode fazer outras travessuras grotescas, mas melhor não entrar no tema. 

Depois de detonar o banheiro, o jogador finalmente entra em combate, com uma criatura gigantesca. A cena remete ao final do game antecessor, mas que no enredo é um videogame sobre suas aventuras. 

Ao desligar o videogame, Duke aparece em sua mansão, que lembra o quarto de Tony Montana (Scarface). No entanto, novos alienígenas chegam à Terra, mas de forma pacífica. Ele é orientado a não retaliar os visitantes. Mas no sossego do lar, Duke é atacado pela horda extraterrestre e a pancadaria dá início.

Mas o que há de tão ruim no game? Pois é, games antigos fazem muito sucesso até hoje, e suas limitações técnicas não são vistas como demérito. Mas o problema é que “Duke” chegou se apresentando como uma produção moderna, mas que era um remendo do milênio passado.

Quando comprei o game, em 2012, já sabendo que seria dinheiro jogado fora (assim como fiz recentemente com “Cyberpunk 2077”, para PS4), não sabia que se tratava de um game tão ruim. 

Apinhado de bugs, a jogabilidade é péssima, os comandos são falhos, o que torna a experiência extremamente irritante, pois o game não é intuitivo. E, para piorar, os gráficos nasceram datados. Claro que perto de “Duke Nukem 3D” é nítida a melhora visual. Mas comparado com “Wolfenstein”, de 2009, era algo bizarro, pois a qualidade é muito inferior. E olha que essa edição “Wolf” está longe de ser a melhor. 

O game foi uma lição dura para a 3D Realms. Mas mostra que todo projeto tem seu tempo certo de produção. “Duke” demorou e perdeu o bonde. Da mesma forma que a “Cyberpunk 2077” tentou se adiantar e tropeçou nos trilhos.