Um é mais introvertido, o outro explode fácil. Há também os que são considerados ponderados e outros, mais contidos. Seja qual for o temperamento que guia boa parte das suas ações e reações, saiba que é possível exercitar a mente para garantir equilíbrio emocional. 

Descritos pelo pai da medicina ocidental, o grego Hipócrates, milhares de anos atrás, os temperamentos classificam-se em colérico, sanguíneo, fleumático e melancólico, mas não devem ser considerados isoladamente nem interpretados como caminho sem volta. 

“Somos produto da genética, das influências ambientais e do nosso temperamento”, explica o psiquiatra e homeopata Aloísio Andrade, de Belo Horizonte.

O especialista reforça que não há tipos melhores ou piores nem mais ou menos desejáveis. Isso significa que é possível uma mesma pessoa ser colérica (reativa) e melancólica (contida) ou sanguínea (ágil) e fleumática (ponderada), por exemplo, ao mesmo tempo.

“Através da auto-observação, do autoconhecimento e da busca pela intenção e pelo autocomando torno-me apto a controlar as características e equilibrar os temperamentos” - Aloísio Andrade, psiquiatra a homeopata

Prejudicial é o desequilíbrio extremo entre os traços das personalidades ou a falta de percepção para entender quando é melhor agir conforme uma ou outra característica. 

"Do ponto de vista prático, pouco podemos fazer sobre as influências ambientais. Sobre a genética, então, não há contra o que lutar. Entendo, portanto, que devemos buscar o equilíbrio por meio da adequação dos quatro temperamentos. E isso não significa ter 25% de cada um, mas ajustar-se conforme as situações, buscando, assim, uma equação linear”, explica o psiquiatra.

Auto-observação

O caminho do tempero certo passa pela auto-observação – que consiste em analisar qual dos quatro tipos predomina e, também, pelo autoconhecimento, que ajuda a saber como utilizá-los no dia a dia. 

Presidente da Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional (Sbie), Rodrigo Fonseca explica que a dominância de um dos quatro temperamentos sempre vai existir e que o problema não está nela, mas em não saber caminhar pelos outros três.

Ele explica que encontrar o equilíbrio, o “lado bom, é como controlar a intensidade da luz em um ambiente da casa. “Tanto o excesso quanto a escuridão completa são ruins. O equilíbrio está na medida exata”, afirma. 

Coléricos, segundo ele, devem treinar o compartilhamento e a paciência com o outro; sanguíneos, a escuta – muito mais que a fala –; fleumáticos precisam pensar menos e agir mais, e melancólicos, experimentar a mudança. 

“Podemos mudar nossa dominância em determinados momentos da vida. Aqui está o segredo da coisa”, reforça. 

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Arte quatro temperamentos

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Treinar o cérebro ajuda a 'temperar' características e evita desequilíbrios emocionais

Por mais enraizadas que determinadas características dos temperamentos estejam na nossa vida, é possível exercitá-las para que, equilibradas, não sobressaiam sobre outras, menos presentes. Atividade que exige treino, adianta a especialista em Programação Neurolinguística (PNL) Juliana Torres, de BH. De acordo com ela, assim como os músculos, o cérebro é flexível e responde a estímulos. 

“Nada em nosso corpo é estático, imutável. O cérebro, assim como os tecidos, responde a estímulos. Se os registros negativos são repetidos a todo momento, é como se estivessem reforçando aquela ideia dentro de mim e me preparando para repeti-la a todo instante”, detalha. 

Juliana explica que as características dos quatro temperamentos são, no cérebro, mais ou menos como nosso número de CPF, que, de tanto ser repetido, ficou gravado em lugar nobre da memória. “O cérebro entende que aquela informação (emoção) é importante e a coloca na prateleira mais fácil de ser acessada. Acontece, por exemplo, com quem dá muita importância às críticas. A reação a elas estará sempre no lugar mais fácil do cérebro. Assim, mesmo que determinada situação não seja uma crítica propriamente dita, o corpo entenderá e irá elaborá-la como tal. Essa será uma pessoa sempre muito reativa”, acrescenta.

Escrever as próprias ideias no papel ajuda a tornar fleumáticos e melancólicos mais expansivos

Exercícios

Driblar comportamentos dominantes exige treino diário. Coléricos e sanguíneos, por exemplo, podem se beneficiar da meditação, que controla a impulsividade e evita a falta de atenção no momento presente – características marcantes nos dois perfis, sobretudo quando desequilibrados. 

Para os outros dois – fleumático e melancólico –, a dica é estreitar relações com pessoas com perfis diferentes, isto é, mais expansivas, decididas e que não guardam as emoções. “Pessoas com essas características precisam estimular a mente, estar próximas de quem conversa bastante, ter uma vida social mais agitada. Quanto mais o cérebro é exposto, mais ele assimila dado comportamento”, justifica Juliana Torres. 

Praticar a leitura e a escrita, expondo os próprios pensamentos, mesmo que só no papel, também são bons exercícios, independentemente de o temperamento ser dominante ou dominado.

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