Com milhares de roupas que se espalham pelo chão e atores que se dividem em diversos papéis, o drama “Pi – Panorâmica Insana”, dirigido pela consagrada Bia Lessa e em cartaz hoje e amanhã no Sesc Palladium, pretende colocar no palco um painel da sociedade atual e seus dilemas. 

A ideia da montagem – concebida de forma coletiva e com citações de Franz Kafka e Paul Auster – é apresentar um retrato do momento, diz uma das idealizadoras do espetáculo, a atriz Cláudia Abreu, com cenas que retratam o caos e a intolerância que devasta a sociedade. “É um corte desse período de decadência, em que estamos criando uma cilada para nós mesmos. Não vamos conseguir viver nesse mundo que estamos criando”, pondera a atriz.

Também no palco, Leandra Leal, Luiz Enrique Nogueira e Rodrigo Pandolfo. Com duração de 75 minutos, o espetáculo se compõe através da história de vários personagens, que nem sempre fazem parte da mesma história. É um rodízio planejado, digamos, com ares de improviso, até. 

Para a atriz, que estava afastada do teatro adulto há quase 20 anos, quando encenou “As Três Irmãs” em 1999, esse formato coloca em evidência o frescor do espetáculo. “A grande força da peça é ter uma cara de que está tudo sendo criado na hora, que está tudo fresco”. 

Relevância

“O momento da peça é importante porque permite o debate de uma forma mais profunda. Se divertindo, rindo, chorando, vendo algo estético, você pode refletir sobre seus conceitos e verdades absolutas e, quem sabe, ponderar sobre que você precisa mudar”, ressalta Cláudia Abreu, sobre o espetáculo que estreou ano passado em São Paulo.

“Fazer essa peça nesse momento, em que a cultura está sendo esvaziada e atacada, em que os artistas estão sendo demonizados como se todos fossem aproveitadores da Lei Rouanet, é um ato de resistência”, sublinha. 

SERVIÇO
Espetáculo Pi – Panorâmica Insana, hoje, às 20h, e amanhã às 19h, no Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1046 – Centro). Ingressos de R$ 25 a R$ 70