A moda sempre esteve na cabeça da engenheira civil Sônia Hope, de 57 anos. Mas foi só depois da aposentadoria, em 2017, que ela resolveu transformar o “namoro” em profissão. Hoje, após a formação em cursos livres, atua como consultora de imagem.

Para ela, a teoria é necessária para o desenvolvimento de uma boa prática. “Penso que, em qualquer área, o conhecimento abre um leque de possibilidades na prática diária. E na moda não é diferente. É preciso compreender que não é algo apenas intuitivo, é um grande veículo de comunicação”.

Exemplos como o de Sônia se repetem de forma constante no setor, atualmente. Há alguns anos, a rejeição ao “trabalhar com moda” vem sendo superada. É no que acredita a professora Flávia Virgínia, coordenadora de um novo curso de Moda Contemporânea oferecido por um centro universitário de BH.

“No nosso país, essa é uma indústria forte e este é um momento de ascensão dos pequenos produtores. O preconceito vem sendo quebrado pelo sucesso das marcas autorais. Além disso, há uma percepção de que a moda é muito mais do que fazer roupas. São produtores de conteúdo, fotógrafos, comunicadores e outros”, observa.

Eduardo Carazza, videomaker

“Eu me descobri na moda e isso ajudou a me reerguer em um momento ruim de vida porque enxerguei como uma forma de expressão. Sou jornalista e atuo com edição de vídeo, mas as notícias do dia a dia não me atraem. Já fiz curso livre de consultoria de imagem e quero fazer uma pós na área de moda”
Eduardo Carazza, 25 anos
Videomaker

Continuidade

A aprendizagem continuada é essencial, já que se trata de uma área profissional dinâmica, que está em constante mudança. “A academia sozinha não se basta, todos nós precisamos de atualização. Até os professores. A capacitação é de suma importância para convergir com a demanda de mercado. Frequentar eventos, fazer networking e buscar a validação de ideias, ou seja, tirar os desejos do papel”, afirma Flávia Virgínia.

Denise Aguiar, sócia-proprietária e professora da Escola de Moda Denise Aguiar, na Savassi, também na capital, engrossa o coro ao afirmar que este é um setor que vive de atualidades. 

“Quem quer trabalhar com moda precisa estar a par do que está acontecendo no mundo e não só no setor. Por exemplo, se a economia vai mal, reflete na moda, que fica mais contida. É necessário viajar, pesquisar em revistas, Instagram, ler jornais e portais de notícias e ouvir rádio e músicas. A obrigação de quem trabalha com moda é pesquisar e sempre estar à frente”, ensina.

Vitória Ohana, estudante

“Sempre gostei de moda, mas não do desenvolvimento de marca e coleções. Meu interesse é na área de comunicação. Sonho em ser editora de uma revista especializada, por isso escolhi fazer jornalismo. Mas terminando a graduação já penso em uma pós na área. A moda traz um universo muito abrangente e vejo em workshops e palestras oportunidade de dar uma atualizada”
Vitória Ohana, 19 anos
Estudante

Colocação

De acordo com Luiza Oliveira, consultora de imagem e fundadora da Plural Espaço de Moda, também na Savassi, a graduação é fundamental para quem quer pleitear uma vaga em empresas do setor. No entanto, quem vislumbra trabalhar por conta própria, deve lançar mão de cursos livres, workshops e palestras.

“As instituições de graduação não dão conta de atender toda a demanda. Por isso, as ofertas de cursos na capital têm aumentado tanto. Recomendo avaliar quem é o profissional que dá esse curso, quanto tempo ele tem de mercado, sua trajetória e formação. Buscar indicações, também”, explica.

Talita Fernandes faz questão de frequentar eventos que ofereçam novos conhecimentos em moda

Talita Fernandes faz questão de frequentar eventos que ofereçam novos conhecimentos em moda

Sair da zona de conforto é ponto-chave para brilhar na área

A pedagoga Talita Fernandes, de 35 anos, foi uma das milhares de pessoas que passaram pelo Espaço do Conhecimento montado na última edição do Minas Trend, finalizada em 12 de abril. Ela deixou a carreira de formação para investir em um negócio próprio de moda, a Laborê, marca focada em roupas para o dia a dia no trabalho. Ela é também a estilista da marca.

“A minha formação em moda foi toda construída em cursos livres, palestras e workshops que me ajudam a agregar conhecimento em áreas que não domino. É preciso conviver com pessoas do setor e trocar experiências é muito importante”, contou enquanto aguardava a palestra da empresária Alice Ferraz, CEO da FHits, plataforma digital de produtores de conteúdo.

Alice Ferraz, CEO da FHits, lotou Espaço do Conhecimento no Minas Trend

Alice Ferraz, CEO da FHits, lotou Espaço do Conhecimento no Minas Trend

Para Alice, ficar na zona de conforto é comum, mas é necessário romper o padrão e ir atrás de educação. “Ter contato com novos conhecimentos é fundamental nessa carreira. Qualquer curso que você faz abre um horizonte diferente para pensar, concordar ou discordar. Inclusive, ler o que está escrito nas redes sociais também é interessante. Não basta só curtir imagens e vídeos”.

Mão na massa

Marcela Torres, de 30 anos, sócia da marca belo-horizontina de calçados NUU Shoes, percorreu um caminho de desenvolvimento na área. Graduada em Design de Moda, buscou uma pós na área de negócios por ter sentido falta da cadeira na faculdade. Para ela, colocar a mão na massa é primordial.

“Tem que aproveitar mais do que aulas, fazer projetos extras, colar nos professores e buscar estágios. Há contatos incríveis, especialmente dentro das pequenas marcas”, coloca.

Marcela Torres, sócia da NUU Shoes, marca de sapatos de BH

“Depois que formei em Design de Moda e já tinha começado a trabalhar, fiz uma pós-graduação em Negócios de Moda porque senti falta dessa cadeira na faculdade. E é um conhecimento essencial para quem quer ter uma marca. Aos poucos, vamos descobrindo o que é preciso desenvolver”
Marcela Torres, 30 anos
Sócia da NUU Shoes, marca de sapatos de BH

Leia mais:

Minas Trend explode em tons vibrantes para dizer 'xô' à temporada de crise no Brasil

Retorno aos anos 70 e 80 marca coleção de jovem estilista mineira especialista em bordado

Fiemg quer priorizar expansão do Minas Trend e atrair expositores de fora do Estado