A flexibilização da quarentena em Belo Horizonte poderá ser aprovada na sexta-feira (22). Ou não. Independentemente da data para a reabertura do comércio, a mente à frente do Chef Tulio Internacional Butikin, no Horto (Leste), já tem novos planos para receber a antiga e nova clientela quando for liberada a reabertura em BH. O negócio, que elevou o patamar dos butecos da capital mineira, 25 anos atrás, está pronto para se reinventar mais uma vez e, assim, enfrentar o caos causado pela pandemia de Covid-19 na economia.

 

Com quase três meses de fechamento, há contas atrasadas, mas os funcionários estão em casa, sem correr risco. Nem o dono, o chef Tulio Montenegro, 72 anos, topou se arriscar com a doença, mesmo que fosse com o delivery. Mais do que medo, existe respeito à gravidade do tema e à saúde da equipe, composta em maioria por pessoas acima de 60 anos. Encerrar o negócio nunca foi opção. Mudar o cardápio e pensar novas formas de receber o cliente, como expansão do serviço na praça, sim.

"Eu não quero parar agora. Eu tenho força para trabalhar muito tempo. Por isso, um dos meus planos mais prováveis é mudar drasticamente a função da minha culinária. Ao invés de internacional, com comida francesa, tailandesa, eu quero valorizar essa nova honra de BH, de Cidade Criativa da Gastronomia (título da Unesco, conferido, em outubro do ano passado, a apenas 21 cidades mundo afora), e cozinhar o que o belo-horizontino come no almoço, com o preço que ele poderá pagar", conta.

Chef Túlio Butiquim

Espaço aguarda liberação da PBH para reabertura

Será um 'prato feito' bem interessante, já que será produzido a partir do selo de qualidade do bar: estão garantidas a compra da matéria-prima e o tempero sem excesso de sal ou uso de caldos industriais. "Uma cozinha com carinho, para atender a necessidade do trabalhador em geral de ir em um restaurante e comer uma boa comida", disse. A mudança foi necessária. "Qualquer dono de estabelecimento de alimentação fora do lar que não pensou uma nova forma de existir do negócio perderá o cavalo arriado".

O espaço de três lojas no Horto se voltará ao atendimento para almoço, de segunda a sexta-feira, com abertura três noites por semana. "Vai ficar mais acessível. No futuro, poderemos modificar alguma coisa, servir algo diferente, mas, de início, é trabalhar com pé no chão", completou.

Comida na praça?

Uma das ações para a qual Tulio pretende conseguir apoio é para a liberação do uso das praças como espaço de alimentação. Na prática, isso já é possível, desde que haja o pagamento à Prefeitura de Belo Horizonte, mas o empreendedor espera sensibilidade da administração municipal para a questão. "Para colocar três mesas na praça, pago R$ 680 por mês à prefeitura. É um valor inadmissível. Se posso atender 80 dentro da minha loja, respeitando distanciamento, por que não posso atender 100, aproveitando o espaço da praça?", questiona. 

A reportagem procurou a PBH para saber se a extensão do uso das praças poderá ser discutida, em caráter temporário, durante a reabertura do comércio na cidade. Por telefone, a administração pública informou que é necessário aguardar até sexta-feira (22), quando haverá a definição sobre a flexibilização da quarentena.