Levante a mão quem não separa as roupas de “ficar em casa” daquelas “de sair na rua”! Esse comportamento, comum em nosso dia a dia, remete à época em que era respeitoso vestir o melhor traje para ir à missa, à casa dos avós, ao cinema, ou mesmo às compras. No entanto, em tempos de pandemia, essa separação virou uma verdadeira mistura, prezando pela boa apresentação, conforto e bem-estar. Fruto dos meses em home office, dos encontros com os amigos e parentes por videochamadas e da óbvia necessidade de seguir em isolamento social até que pandemia retroceda. Nesse cenário, vem reinando absoluto um conjunto de peças que não era, digamos, “tão admirado” por muitos, até então, o pijama.

 

 

A roupa de dormir, que também se estendeu para o teletrabalho e a curtição das lives no YouTube, tem sido tão procurada que foi vista como oportunidade de negócio por quem pouco ou nada “entendia dessa costura”. Caso da jovem estilista Maria Clara Daura, proprietária do M.Daura Atelier, localizado na Savassi, em Belo Horizonte. Especializada em moda “sob medida” para festa e noivas, frente à suspensão das celebrações, ela se viu obrigada a uma revisão no negócio.

“Optei por trabalhar com ‘sob medida’ para respeitar a individualidade de cada mulher e porque acho que, na luta pela conquista da autoestima, este é um grande aliado. Quis manter esse meu posicionamento. Por isso, o pijama veio muito a calhar. O pijama mais bonito e arrumadinho contribui para a nossa autoestima. A gente abriu mão de muita coisa. Então, estar bem dentro de casa virou uma necessidade, uma urgência quase”, observa Maria Clara, que comemora o fato de manter as funcionárias empregadas, com o mesmo salário.

Maria Clara Daura

Maria Clara Daura reinventou o negócio de moda festa e “sob medida” e passou a investir na confecção de pijamas na pandemia. Agora, ela pretende agregar a linha aos negócios

Quem também enxergou nos pijamas uma oportunidade de negócio foi a estilista mineira, mundialmente conhecida, Patrícia Bonaldi. “Levar o universo da moda para o loungewear sempre foi uma grande vontade. Em um cenário de incertezas, precisamos responder rapidamente às expectativas das nossas clientes, e a melhor maneira de continuar sendo relevante é escutando e entendendo o que esperam da marca”, afirma a fundadora e diretora criativa da PatBo.

Patrícia Bonaldi

“Ficando em casa, pude aproveitar e ressignificar alguns momentos que antes, na correria do dia a dia, não conseguia, por isso essa linha transmite esse meu mood atual”, diz Patrícia Bonaldi sobre coleção de pijamas

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Bom negócio

Investir nas novas linhas foi tão positivo que ambas pretendem seguir com esse tipo de confecção no pós-pandemia. “Eu fiquei muito feliz com o resultado, e com o retorno maravilhoso desse lançamento. A ideia é manter uma linha permanente dentro da marca”, analisa Bonaldi.

Já Maria Clara Daura destaca que também almeja ter peças casuais em seu portfólio. “As vendas têm sido melhores do que o esperado. Não imaginei que lançar um produto que já tem bastante no mercado seria tão proveitoso. Pretendo ter uma linha casual, de homewear, que sempre fez parte dos meus planos. Eu vi na pandemia uma oportunidade de já começar com isso, já que eu tive uma ‘folga’ do ‘sob medida’. Porque, em tempos normais, eu não via essa oportunidade, eu precisaria me restruturar”.

Água Fresca Lingerie - Júlia Zingoni

Júlia Zingoni, diretora criativa da Água Fresca Lingerie, afirma que as vendas on-line cresceram 400% na quarentena. Pijamas e homewear seguem como apostas para o futuro próximo

Negociações on-line colaboram para alta nas vendas de homewear

Tecidos leves e maleáveis, suaves ao toque e agradáveis no corpo, já vinham sendo uma preferência do consumidor nos últimos tempos, mesmo antes da pandemia, independentemente da aplicação desses em pijamas ou em homewear, especialidade de uma marca tradicional mineira, a Água Fresca Lingerie.

Apesar de todo susto e apreensão causados pelo coronavírus e o fechamento de todas as lojas físicas, a empresa experimentou o crescimento de 400% no e-commerce neste período, especialmente com as vendas de roupas confortáveis para ficar em casa. “A linha de homewear já era clássica nossa, em que investimos mais. As peças, neste período, esgotaram-se muito rápido. Tivemos que correr para produzir mais e atender à demanda”, conta a estilista e diretora criativa da marca, Júlia Zingoni.

Ela explica que o comércio on-line foi adaptado ainda em maio. “Eu já tinha uma nova plataforma de e-commerce para ser lançada, que seria em outubro, e antecipamos para a primeira semana de maio. Aceleramos o processo de atualização da loja on-line, que existe há sete anos”.

Conheça algumas das peças mais vendidas na Água Fresca Lingerie: