O gosto da comida da vovó, ou até mesmo da mãe, ainda que esteja só na lembrança de alguns, permanece vivo na memória afetiva da maioria das pessoas. Quem não se recorda, por exemplo, do cheirinho do feijão, da carne e outras iguarias temperadas e preparadas na cozinha da família?

É nesse tipo de lembrança que a 15ª edição do Festival Brasil Sabor – realizado simultaneamente em todo o país, até o próximo dia 30, pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) – aposta, para valorizar a gastronomia brasileira e mineira e estimular os restaurantes a criarem receitas com técnicas de preparo e ingredientes locais.

O evento vislumbra, também, impulsionar o setor, fortemente afetado nesta pandemia. “Hoje, como está todo mundo no delivery, a gente acredita que isso vai ajudar, sim, o setor a resgatar aquela comida com gostinho de casa de vó, resgatar os sabores. No domingo, a gente não pode almoçar ainda com a família, então, as pessoas podem pedir os pratos do festival para saborearem em casa ou apreciá-los nos restaurantes, seguindo todas as medidas de segurança”, pondera o presidente da Abrasel, Matheus Daniel.

Ele detalha que, dos 760 restaurantes inscritos em 13 estados do país, 60 estão em Minas. Além de Belo Horizonte, há participantes de municípios como Capitólio, Montes Claros, Ouro Preto, Teixeiras, Ubá, Uberlândia, Varginha e Viçosa.

No domingo, a gente não pode almoçar ainda com a família, então, as pessoas podem pedir os pratos do festival para saborearem em casa ou apreciá-los nos restaurantes, seguindo todas as medidas de segurança”, pondera o presidente da Abrasel, Matheus Daniel


Delivery
Matheus Daniel admite que não é fácil fazer com que um festival on-line engrene, ainda que o delivery tenha sido a maneira encontrada por muitos empresários do setor para manter o negócio aberto. O presidente da Abrasel lembra que a pesquisa mais recente da entidade aponta que 90% do setor não conseguiu honrar os salários dos colaboradores, em razão da pandemia. E a ideia do festival é fazer isso gerar, levar movimento para essas casas.

Segundo ele, dos 133 mil estabelecimentos que funcionavam em Minas antes da pandemia, gerando 800 mil empregos, 30 mil fecharam as portas e 250 mil empregos foram perdidos. Na capital, dos 12 mil bares, lanchonetes e restaurantes de antes da pandemia, 3.500 empresas encerraram as atividades, levando junto 30 mil empregos. 

Reformulações

As casas que se esforçam para sobreviver usam, para isso, as ferramentas disponíveis, além da criatividade. Com 13 anos de história, o restaurante Boi Vitório, localizado nas imediações da Praça da Bandeira, região Centro-Sul de BH, nunca havia trabalhado com delivery, conta o proprietário, Fabrício Lana, mas aderiu à tecnologia com a chegada da pandemia.

E está confiante na participação no Brasil Sabor. A casa preparou para o festival o prato “Memórias do Boi”. “Trata-se de uma picanha maturada, servida com farofa de ovos e bacon, fritas, arroz branco, vinagrete e mandioca cozida na manteiga, à moda da casa”, explica Lana.

É como uma comidinha caseira, aponta ele, com uma boa carne. “A expectativa é que a gente consiga atender à necessidade do cliente que ainda não está saindo de casa e resgatar a memória afetiva, já que ele não vem ao restaurante. Mas, se quiser vir, estamos atendendo com segurança, seguindo todos os protocolos”, afirma.