A nova geração de consoles já chegou ao mercado e junto dela uma nova geração de placas de vídeo para computadores que fazem com que qualquer coisa fabricada antes de 2020 seja comparada ao Apple II. E diante de novos poderes de processamento, nada mais justo que pensar num game fuja da trivialidade. É o que espera a Bethesda com “Deathloop”, game que chega em setembro para PS5 e PC, partindo de R$ 300. 

O game marcará a entrada do selo norte-americano nessa nova geração que chega carregada com gráficos 4K nativos, efeitos Ray Tracing e tudo mais que esses novos hardwares vendem a peso de ouro. À primeira vista, o título parece ser mais um game de tiro em primeira pessoa, mas vai além.

E fomos conversar com os produtores do game, num encontro virtual promovido pela Bethesda. Segundo o diretor Dinga Bakaba, a produção da Arkane Studios vai além ao incluir o fator tempo. No game, o jogador está preso num loop temporal. Ou seja, avança e volta no tempo. Quem assistiu o longa-metragem “No Limite do Amanhã” vai entender a dinâmica de “Death Loop”.

No filme, o personagem de Tom Cruise sempre que morre volta no tempo e vivencia os mesmos momentos. Na trama não é diferente, Colt está preso neste moto perpétuo, num lugar chamado Blackreef. E assim como no filme, a cada volta ele encontra soluções para desafios, caminhos e novas possibilidades. 

O game se divide em quatro cenários e cada um deles pode ser acessado em diferentes momentos dia (manhã, meio-dia, tarde e noite), que permite que o jogador execute tarefas que se adequem a cada momento desse período de 24 horas, até que o relógio volte novamente. Esse elemento lembra bastante a dinâmica do clássico “Day of Tentacle”, da LucasArts. Nele o jogador combina elementos, tarefas em três momentos distintos do tempo. 

Tiro, porrada e bomba

Essa bagunça temporal se mistura com um game de tiro frenético e tático ao mesmo tempo. O jogador conta com diversos recursos para cumprir cada uma das tarefas. É uma variedade de armas e de bugigangas tecnológicas que desafiam o espaço e o tempo. 

Ele pode bancar o pistoleiro e encarar desafios de peito aberto ou avançar de forma estratégica. Se der errado, o máximo que vai acontecer é acordar no início do dia com aquela sensação de Déjà Vu. 

Pelo conteúdo exibido, é possível perceber que a Arkane se alimentou de elementos de seus games como “Dishonored” e “Prey”. Ferramentas gravitacionais, camuflagem, dentre outros recursos, são fundamentais para se avançar no game, assim como uma escopeta. 

No entanto, Bakaba deixa muito claro que não basta apenas ficar repassando os cenários. O jogador precisa se envolver nos diálogos. A combinação de informações é fundamental para solucionar desafios, que não se apresentam de forma previsível.

Visual

“Deathloop” é um game distópico, mas com um estilo que remete à virada dos anos 1960, com jeitão de “Jackie Brown”, misturado com “Hotline Miami”, “007” e “Rage 2”. A produção promete, além de uma estética surrealista, gráficos impecáveis.

O pouco do gameplay exibido revela efeitos de iluminação sofisticados. Aliás, a recriação da luz é uma das grandes evoluções dos novos consoles e componentes. São caprichos que tornam a experiência mais fascinante.

Um exemplo do refinamento do game está na camuflagem, que é semelhante ao do alienígena de “O Predador”. A parte do corpo ou arma translúcida distorce o cenário, como se olhasse através de um vidro.

De certa forma, “Deathloop” é uma metalinguagem do próprio videogame. Afinal, num game, o jogador repete desafios incontáveis vezes até descobrir qual caminho deve seguir. Mas só vamos descobrir, de fato, em setembro e certamente ficar presos nele por um bom tempo.