Sempre fui bastante receoso com MMORPG, que você pode chamar por Massive Multiplayer On-line Role Playing Game, ou apenas RPG on-line. Isso porque, lá no começo da ideia, nos anos 2000, esses games tinham um propósito muito legal, mas se tornaram espécie de mercado das pulgas digital. Os jogadores ficavam perambulando pelo mapa à procura de negociatas de itens coletados. 

E o game não fluía. Era preciso ter companhia de outros jogadores para ter êxito nas missões. Mas a turma ficava preocupada com suas “tendinhas”, e, jogar que é bom, nada. Então não me interessei por “The Elder Scrolls Online”, lançado em 2014, para não correr o risco de me decepcionar com a franquia. Afinal, sempre tive um carinho muito grande pelos episódios “Skyrim” e “Oblivion”, que me serviram de centenas de boas horas de jogo. 

Mas confesso que minha curiosidade aumentou depois de jogar “Fallout 76”. O game apocalíptico te lança num mundo detonado e o jogador precisa lutar pela sobrevivência, construindo abrigo, cultivando alimentos e, claro, metralhando criaturas mutantes.

Assim, resolvi testar “ESO”, que recebeu no primeiro semestre a edição “Greymoor”, que adiciona novas locações ao imenso continente de Tamriel. Nesta edição, a jornada tem início na gélida Gryemoor. A introdução coloca o jogador numa emboscada. Seu objetivo é sair de um covil de bruxos. Isto feito, o jogador tem um mundo gigantesco para explorar.

Jogabilidade

“ESO” tem uma dinâmica diferente de “Fallout 76”: o jogador não se preocupa com seus atributos vitais. Não precisa se preocupar em tomar água, comer e descansar. O negócio é explorar as locações em busca de missões. Ou seja, o jogo é mais objetivo. 

Mas, por outro lado, rouba um pouco da imersão. Aquele lance meio “The Sims”, em que o jogador precisa suprir suas necessidades básicas. Além disso, a falta de uma campanha principal, como em “Skyrim”, pode deixar o jogador sem norte.

No entanto, a graça do jogo está nas aventuras que surgem por acaso. Topar com um aldeão, um bruxo, pode render uma boa história a seguir. E, o melhor, o jogador não depende da boa vontade de outro jogador para cumprir suas missões. Dá para jogar sozinho numa boa. 

O personagem

A criação do personagem permite escolher entre raças como humanos, orcs e dois tipos de elfos. O jogador pode ajustar altura, musculatura, assim como cor da pele, cicatrizes, tatuagens, tipo de cabelo, barba, além de customizar completamente seu rosto. Nada de novo para quem já conhece a franquia.

No entanto, como game on-line que se preze, o jogador, caso queira alterar suas características físicas, precisa pagar por isso. Sim, “ESO” é um jogo salpicado de transações internas. É possível comprar itens, magias e tudo mais que exista no universo do game, e até mesmo aventuras.

Já a parte de atributos físicos é mais simples que em “Skyrim”. Ao subir de nível, o jogador pode gastar seu ponto com fôlego, força ou magia, além de desbloquear habilidades que podem ser personalizadas nos botões do joystick.

Armas e armaduras podem ser melhoradas, assim como é possível coletar alimentos e ingredientes. No entanto, a comida serve para encher a barra de vida e não há o risco de apodrecer, igual ocorre em “Fallout 76”.

Criaturas

Um dos grandes baratos de “ESO” é a quantidade de criaturas espalhadas pelo cenário. O jogador pode topar com feras como um urso pardo, assim como javalis gigantescos, além de criaturas mitológicas como um troll, serpente gigante e até dragões. Isso sem falar da infinidade de inimigos espalhados pelo mapa.

Os combates são bem triviais e sem combinações de movimentos complexos. Basicamente, defender, esquivar, ataque leve, ataque forte e magia (se tiver disponível). Mas é possível rebater um ataque, que causa atordoamento no oponente, deixando-o vulnerável. 

Uma dica é nunca encarar mais de um adversário ao mesmo tempo, pois é impossível bloquear dois ataques. Se a situação fugir do controle, fuja enquanto resta energia. Morrer durante uma batalha pode custar itens, pontos e demais prejuízos.

Palavra final

“The Elder Scrolls On-line: Greymoor” é um game interessante para quem curte jogos de fantasia medieval. O jogo entrega uma infinidade de aventuras e missões, como em um RPG de mesa. A grande sacada é vivenciar cada uma das aventuras, sem se preocupar em ficar revirando cestos e baús em busca de pilhagens. 

O risco que se tem em todo MMORPG é de o jogo ficar repetitivo e cansativo com o passar do tempo. A sensação de não conclusão é estranha e pode deixar de fazer sentido. Daí a importância de buscar novas aventuras, já que o game é atualizado constantemente.

Para quem gosta de jogar em grupo, a recomendação é formar uma equipe e se organizar para jogar junto. Mas também é válido fazer amizades com jogadores aleatórios e iniciar uma jornada. E, para quem curte jogar sozinho, o game é uma espécie de “Skyrim” e “Oblivion” sem fim. 

Disponível para PC, Mac, PS4, Xbox One e Stadia, um game leve que carrega rápido e no sobrecarrega a máquina.