Flávia Vianna aprendeu a gerenciar lembranças que despertavam nela emoções dolorosas. Milena Pieroni viu-se livre de episódios de pânico, perdoou e reconciliou-se com uma antiga amiga. Renata Dietze venceu a depressão, desapegou-se dos problemas e viu os negócios deslancharem. Uma jornalista, uma empresária e uma profissional autônoma que encontraram no Ho’oponopono o caminho para construir uma vida mais leve e harmônica.

Ouça a Oração Original do Ho'oponopono, na voz da psicóloga Fernanda Junqueira - que estuda a filosofia há sete anos:

Conhecida principalmente pelas frases “Sinto muito. Me perdoe. Te amo. Sou grato”, que podem ser ditas em voz alta ou simplesmente mentalizadas ao longo do dia, a ferramenta é uma sabedoria havaiana que busca promover a autocura por meio da limpeza consciente e autorresponsável de memórias.

A expressão pode ser traduzida como corrigir um erro ou tornar certo. Por meio dessa prática, que não requer aulas, apenas treino, é possível limpar a própria mente, deixando-a livre de memórias que nos prendem e impedem uma vida mais leve

Psicóloga comportamental, Fernanda Junqueira é praticante e divulgadora do Ho’oponopono há sete anos. Para ela, que já compartilhou a filosofia com mais de 600 pessoas em vivências realizadas em Belo Horizonte (veja mais no Além Disso, abaixo), o “segredo” está em dissolver lembranças (as memórias) ruins, deixando fluir somente o que for positivo. 

“Limpamos memórias negativas, memórias que não vivenciamos por completo e que, por isso, ficaram mal resolvidas. São padrões que se repetem, acontecimentos e sentimentos, que, mesmo quando não percebemos, são responsáveis for reforçar nossas crenças limitantes, atraindo aquilo de que, muitas vezes, queremos nos ver livres”, detalha. 

Ho'oponoponoMilena tatuou na pele as quatro frases que marcam a ferramenta: sinto muito, me perdoe, te amo, sou grata

Exercícios diários 

Praticante da filosofia havaiana há cerca de seis meses, a jornalista Flávia Vianna, de 35 anos, vem colhendo os frutos dos exercícios diários – feitos ao acordar, enquanto toma o café da manhã, e até no carro, a caminho do trabalho. 

“Algumas situações pontuais viraram gatilhos emocionais e eu precisava me livrar deles. Precisava entender que algumas coisas não pertenciam a mim, embora eu as carregasse como um fardo, sentindo raiva e mágoa de outras pessoas”, conta. 

Milena Pieroni, de 40 anos, também incluiu o ritual de limpeza de memórias na rotina há quase um ano, após vivenciar um episódio de Síndrome do Pânico durante uma viagem em família. 

Ao repetir comandos mentais para que as memórias negativas que compartilha no dia a dia – com a filha e o marido, por exemplo – sejam limpas, observa melhora na ansiedade, na convivência com as pessoas, na qualidade do sono e até na forma como se relaciona com a comida. 

“É possível praticar em silêncio ou em voz alta e a qualquer momento do dia. Faço o tempo todo. Se alguém me irrita, já falo ‘Divino criador, limpa em mim as memórias que compartilho com fulano de tal. Sinto muito, me perdoe, te amo, sou grata’”, descreve, mencionando uma das ferramentas possíveis para a prática do Ho’oponopono.

Ho'oponopono

Renata usa o método do envelope para se livrar de pensamentos obsessivos e dar ao universo o poder de agir

Ferramentas de limpeza podem ser criadas por cada pessoa

Assim como pode ser praticado em quaisquer situações e momentos do dia, o Ho’oponopono também permite diferentes abordagens, que podem ser desenvolvidas individualmente. Adepta do método, a psicóloga Fernanda Junqueira explica que não existe uma fórmula única que deva ser replicada por todos os praticantes da filosofia. Segundo ela, cada pessoa é livre para criar as próprias estratégias de limpeza e purificação de memórias. 

“A prática é absolutamente livre e pode ser feita de diferentes maneiras. Isso é o mais legal. É possível limpar memórias cada vez que nos aborrecemos, e nos livrarmos também de medos ou do sentimento de escassez. Alguns gravam a oração original para escutar pela manhã, outros repetem os mantras em voz alta”, ensina a profissional, reforçando que o mais importante é ser responsável e estar 100% presente.

Envelope

A autônoma Renata de Carvalho Dietze, de 44 anos, por exemplo, costuma utilizar o mantra de limpeza e a técnica do envelope com o lápis e a borracha. Ela conta que é como se depositasse no envelope toda a confiança que tem para que o universo de encarregue de resolver os conflitos. 

“Tiro da cabeça os pensamentos obsessivos, escrevo-os num papel e deposito no envelope, entregando ao universo o poder da ação e de fazer com que eu me surpreenda”, detalha. 

Em quatro meses de prática do Ho’oponopono, Renata observou ganhos na vida pessoal, como a melhora de um quadro depressivo, algumas resoluções no campo financeiro e até no relacionamento com o marido. “Sigo influenciando outras pessoas, incluindo o marido, que é totalmente cético. Durmo e acordo fazendo. É maravilhoso”, resume. 

Ho'oponopono

A psicóloga Fernanda Junqueira estuda e replica a filosofia havaiana há sete anos

Além disso:

As quatro frases ditas no Ho’oponopono não são “destinadas” a pessoas ou fatos que desejamos tirar da memória. São um recado a nós mesmos, a quem as entoa ou mentaliza. “Sinto muito pelas memórias que guardo em mim; me perdoo por repeti-las, mesmo que sem consciência; me amo por tê-las; sou grata pois tudo na vida é aprendizado”, diz Fernanda Junqueira, que promove encontros para difundir a filosofia havaiana em BH e agora também em São Paulo. 

Praticante da ferramenta há sete anos, a profissional diz que a prática nos ajuda e enxergar o copo meio cheio, nunca meio vazio. “Não temos controle sobre quase nada na vida, mas temos escolhas”, enfatiza, lembrando que o desejo de limpar as memórias negativas deve ser consciente e autorresponsável. 

O próximo encontro em BH será nos dias 26 e 27 de outubro, das 9h às 12h, nos dois dias, no bairro Gutierrez. Informações: (11) 99902 3876 e no @ferdinandajunqueira

Leia mais:

Emoções que adoecem: doenças físicas podem ser provocadas por sentimentos e frustrações

Reiki, a terapia do agora: método trabalha o presente para buscar equilíbrio de corpo e alma

O passado cura: regressão a outras vidas ajuda a vencer traumas emocionais e físicos