Estudo feito pela Consultoria KPMG no Brasil aponta que apenas 13% dos empresários ouvidos não pretendem manter o teletrabalho nas empresas, confirmando o que muita gente já imagina ou mesmo deseja: o home office veio para ficar. Se parte da casa vai virar definitivamente um ambiente profissional é bom desapegar do pijama ou vestes desleixadas. 

Pode parecer bobagem, mas não é, segundo a estrategista em Cognição de Vestuários e Imagem, Sintya de Paula Jorge Motta: atenção ao vestuário pode ajudar, e muito, a manter o foco e a produtividade. 

“O que a gente veste influencia o nosso comportamento, sim. Por isso, para fazer seu home office funcionar é importante não trabalhar de pijama ou até mesmo com as roupas que não usaria para sair de casa. Na prática, esse tipo de roupa não colabora com o trabalho, pois estimula o relaxamento e não a produtividade”, pontua.

Sintya sabe bem sobre o que fala, pois já sentiu na pele o peso de não se vestir adequadamente para o trabalho remoto.
Assim como outros trabalhadores de diversas áreas, ela teve a maioria dos compromissos diários interrompidos ou feitos a distância com o começo da pandemia. Naquele mesmo período, outro baque: uma das irmãs dela foi diagnosticada com um câncer já em estágio avançado. O novo cenário acabou gerando ainda mais tristeza e desânimo em Sintya, que acabou se descuidando, não seguindo os próprios ensinamentos, e passou a se vestir com menos atenção.

A postura da irmã, no entanto, serviu de estímulo. “Minha irmã, mesmo doente, se arrumava com muita dignidade, como se fosse mesmo para a luta diariamente. Foi neste momento que decidi mudar meu posicionamento frente à nova realidade que estava vivendo”, conta. 

Syntia é estudiosa e adepta do conceito de “Cognição do vestuário” (em inglês, “enclothed cognition”), termo cunhado pelo psicólogo social Adam Galinsky em 2012. 

A teoria sugere que as roupas possuem significados simbólicos, e que combinados com a experiência física de vesti-las pode despertar processos psicológicos que alteram (positivamente, inclusive) a autoimagem e a produtividade de quem as veste.

Inspirada pela irmã e orientada pela teoria do pesquisador americano, Sintya criou o hábito de se vestir da melhor forma que pudesse todos os dias, passando longe dos pijamas, e ainda se fotografou por 40 dias. 

A iniciativa que ela criou, de se vestir bem para trabalhar em casa, virou livro: “Quarentena sem Pijama” – a QSP. 

“O mais importante que descobri nesse processo foi que as roupas contam uma história de você, para você e também para os outros”, pondera.

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