Capaz de proporcionar aconchego ou até mesmo o contrário – incomodar e ofuscar os olhos –, a iluminação é elemento fundamental num projeto arquitetônico. Quando escolhida corretamente, ajuda a destacar obras de arte, peças decorativas, revestimentos diferenciados e influencia, inclusive, na forma como o ambiente será percebido pelos usuários.

Luzes amareladas, por exemplo, são bucólicas e remetem a aconchego. Por esse motivo, são mais indicadas para quartos e ambientes intimistas, onde irão propiciar sensação de acolhimento. As brancas “levantam” recintos como banheiros e cozinhas, que requerem iluminação mais forte, direta e presente em grande parte do tempo. 

Antes de pôr a mão na massa e escolher por conta própria, o ideal, ensina a arquiteta Flávia Roscoe, é fazer um bom planejamento do espaço onde a iluminação será instalada. Projeto luminotécnico bem feito, com a definição de localização das tomadas e dos pontos de luz, garante escolhas certas e evita quebra-quebra no futuro, reforça a profissional. 

Colega de profissão dela, Gislene Lopes reforça também a importância de saber mesclar diferentes tipos de luminosidade e de acessórios num mesmo espaço, conforme a necessidade do ambiente, que pode ser situacional. “Salas de estar e jantar podem ser equipadas tanto com luzes mais aconchegantes – ideais para os momentos da família diante da TV – quanto com claridade maior e mais direta, na hora das refeições”, detalha. 

Importante ficar de olho também no calor emitido pela luz instalada na peça. Evite lâmpadas que esquentam muito em espaços pequenos ou próximas de onde pessoas estarão sentadas (aprenda a escolher o modelo adequado no Ponto a Ponto abaixo). A desatenção pode provocar desconforto térmico e incomodar o visitante, ressalta a arquiteta.

Destaque

Ao definir que tipo de iluminação incidirá sobre cada ambiente também é importante considerar a relação dos acessórios utilizados com as demais peças decorativas do local, incluindo os móveis. “Tudo depende da proposta da pessoa”, enfatiza a arquiteta Estela Netto. Segundo ela, é possível dar muita ou nenhuma ênfase aos objetos escolhidos.

“As escolhas irão variar conforme o repertório estético do cliente e de como o acessório irá dialogar com o restante da decoração. Mas tudo dependerá se a pessoa deseja dar destaque à peça, torná-la algo diferente do restante, o centro das atenções, ou se a intenção é realmente só iluminar”, detalha. 

Quem gosta de estar “na moda” pode apostar no deslocamento dos pontos de luz. De acordo com Estela Netto, grandes indústrias do segmento luminotécnico estão investindo em peças cujos fios ficam propositalmente aparentes. O motivo é a dupla função que exercem. 

“O fio acaba sendo visto como objeto de decoração que compõe a estética da luminária”, reforça.

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Escolha da peça deve levar em conta a função desempenhada

Feita a escolha do tipo de luz que será colocada, é hora de partir para a definição da peça que irá “carregá-la”. Classificadas como técnicas ou decorativas, devem ser definidas com base na função que irão desempenhar no ambiente – simplesmente iluminar ou também decorar.

"As (peças) técnicas têm a função de iluminar, já as decorativas entram quando o projeto arquitetônico já está pronto e, geralmente, fazem pouca diferença no resultado geral da iluminação”, explica Flávia Roscoe. 

Acessórios fundamentais para complementar os projetos e embelezar os ambientes, as peças decorativas ajudam a construir cenas ou seja, a criar “clima” nos locais onde estão. Caso do abajur, cuja luz é bastante intimista. Colocados geralmente sobre mesas de canto e criados, eles devem respeitar as proporções tanto do espaço quanto do móvel onde estarão apoiados. 

Pendentes (ou lustres), assim como luminárias de piso, também têm função prioritariamente estética, já que ajudam a dar estilo ao espaço onde são colocados. Desta forma, podem ser escolhidos obedecendo as “regras” da casa, ou seja, o estilo dos demais adornos, ou como elemento de destaque, que irá brilhar no ambiente. 

Destaque na luz

Normalmente embutidas, peças de teto, por sua vez, são classificadas como técnicas e assumem o papel de iluminar os ambientes. “Elas não têm pretensão de aparecer enquanto peça, somente enquanto luz”, explica a profissional. 

Da mesma maneira, são classificadas as luzes focadas, escolhidas para dar destaques a elementos como quadro, espelhos e obras de arte. 

Ponto a Ponto:

Conheça os diferentes tipos de lâmpadas, conforme a arquiteta Gislene Lopes:

Incandescentes: deixaram de ser produzidas, devido à baixa eficiência – apenas 5% da energia elétrica consumida por elas é transformada em luz, o restante vira calor. Os modelos mais usados eram as de bulbo transparente, leitoso e a lâmpada vela. Costumavam estar presentes na iluminação interna de fogões e de geladeiras<EM>

Halógenas: são consideradas incandescentes, mas possuem halogêneo (geralmente bromo ou iodo) na composição, o que faz aumentar a eficiência. Proporcionam luz amarelada, ótima reprodução de cores, emitem calor e têm durabilidade maior que as demais incandescentes. São indicadas para dar destaque a objetos ou áreas determinadas, pois apresentam alto controle do facho de luz

Fluorescentes: são as mais conhecidas, pois apresentam alta eficiência e baixo consumo energético. Substituem as lâmpadas incandescentes e podem ser usadas na iluminação geral, em pendentes, plafons e lustres, ou na iluminação decorativa ou de efeito, em abajures, arandelas e luminárias de piso

LED: são as lâmpadas ais modernas, apresentam baixíssimo consumo de energia e vida útil muito longa, além de não emitirem calor. São, atualmente, as mais recomendadas. Podem ser usadas em spots, sobre bancadas e objetos decorativos, em arandelas, balizadores ou em fachadas

Anote as melhores dicas para cada canto da casa:

Iluminação certa para casa
OPÇÕES
Nos quartos, o ideal é ter possibilidades de escolha para diferentes momentos e necessidades, como uma iluminação mais intimista – caso da arandela ou de um abajur –, ou uma mais geral, importante no dia a dia. No projeto acima, foi usada luz focada com spots de LED na cabeceira e nos nichos na lateral do recinto
Iluminação para casa

LUSTRE
Elemento de destaque na sala de jantar do projeto acima, o acessório de cristal fica no centro de mesa e desempenha função prioritariamente estética. Peças decorativas podem ser clássicos ou contemporâneos e assumir papel de destaque ou de coadjuvante diante dos demais elementos

Iluminação para casa

MIX COERENTE
É possível (e importante) misturar diferentes tipos de luminosidade num mesmo espaço, desde que as peças tenham coerência e desempenhem funções diferentes. No ambiente acima, foram usados luminária de chão, elemento de destaque, luzes focadas no quadro de parede inteira, e luzes embutidas no acabamento de madeira

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LUMINÁRIA DE PISO
Peça longa, no projeto com formato anguloso e bojo claro, ajuda a criar cenas diferentes na sala de estar; acessórios como esse são usados menos para iluminar os locais onde ficam e mais como composição: “às vezes, queremos uma iluminação suave, mais intimista, e essas peças têm mais condições de trabalhar essas nuances que a iluminação técnica”, explica a arquiteta Flávia Roscoe

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PENDENTE TRIPLO
Muito usadas em cozinhas americanas, as luminárias de teto devem carregar lâmpadas frias, que têm maior potencial de iluminação, portanto ideais para esse tipo de espaço. Podem ser embutidas ou instaladas como pendentes (triplos, nesse caso), variando conforme o estilo do morador e estética do local

Iluminação certa para casa

ABAJUR + ARANDELA
Aposta certeira para os quartos, o abajur ajuda a criar um ambiente mais intimista e acolhedor. No projeto acima, além da opção que fica sobre o criado, foi instalada uma luminária bidirecional ou arandela, que consegue proporcionar boa claridade e ainda propicia uma iluminação mais cênica

Iluminação para casa
LUZ FOCADA
Centrada no espelho, elemento de destaque na combinação com o aparador, a iluminação embutida ajuda a valorizar a composição e o ambiente. O ideal é fazer um projeto antes e instalá-la com cuidado, escolhendo o tipo certo de lâmpada e evitando, por exemplo, esquentar demais o local ou ofuscá-lo