SÃO PAULO - A sustentabilidade da moda é o conceito que permeia, atualmente, as cadeias produtivas que fomentam o setor, reconhecido como um dos mais poluentes do mundo. Seja em palestras voltadas a compradores ou nos estandes, essa dinâmica está clara no InspiraMais, salão de design e inovação de materiais que acontece em São Paulo até esta quarta-feira (16).

O cabedal do calçado foi desenvolvido em Amni Soul Eco®, primeira poliamida biodegradável do mundo, e construído em Knit, uma técnica de tecelagem 3D, onde o fio dá lugar ao cabedal quase que totalmente pronto, permitindo flexibilidade e leveza para os pés, minimizando o desperdício durante a produção

Há três edições expondo no evento, a Rhodia Fibras, empresa de origem francesa que está há 90 anos no Brasil, trouxe uma novidade: um tênis 100% biodegradável. Responsável pelo desenvolvimento da poliamida (elemento presente nos tecidos, cadarço e palmilha), a fábrica promete respirabilidade para os pés, dando a possibilidade à usuária de usar o tênis sem meia.

“É um conceito de calçado, desenvolvido em parceria com a marca Mary Jane, para aquelas que andam de skate e querem um tênis para usar logo depois. Alteramos a matriz da poliamida e adicionamos ingredientes que ativam a degradação, mas com a durabilidade de uma poliamida convencional”, afirma Mayra Montel, gerente de marketing da Rhodia Fibras, que ressalta que todos os estudos e o desenvolvimento são brasileiros e que a tecnologia é exportada, inclusive para a Ásia.

Tênis after skate 100% biodegradável

Tênis after skate 100% biodegradável

Sustentável também é a cadeia produtiva da juta, fibra têxtil orgânica e sustentável da Amazônia. “A juta tem um ciclo hidrológico próprio. Ou seja, não há necessidade de irrigação ou aditivos químicos. É compostável e biodegradável”, destacou José Favilla, consultor têxtil da Castanhal, empresa fornecedora da matéria-prima, em palestra no InspiraMais nessa terça-feira.

Certificação

Muitas das iniciativas sustentáveis são merecedoras de certificação pioneira e única no Brasil: o programa Origem Sustentável, lançado em 2013. O objetivo é certificar os processos produtivos das empresas do setor coureiro-calçadista.

“São mais de 100 critérios industriais avaliados por auditoria externa para que uma empresa obtenha o selo. Inicialmente, é preciso aderir ao programa, receber a capacitação e cumprir os quesitos. Não há programa igual no mundo”, coloca Linda Pienis, coordenadora de projetos de inovação do Instituto By Brasil, um dos desenvolvedores do Origem Sustentável.

Os níveis de certificação são bronze, prata, ouro e diamante. Eles são definidos de acordo com o percentual de cumprimento dos indicadores aplicáveis.
“A gestão da sustentabilidade permeia todas as dimensões (econômica, social, ambiental e cultural), sendo feita de forma sistêmica, introduzida no dia a dia da empresa”, explica Álvaro Flores, coordenador da SGS Certificadora, responsável por auditar as fábricas.

(*) Viajou a convite do InspiraMais

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