A mitologia nórdica está em alta. Seriados, quadrinhos, filmes e games vêm explorando o folclore do Norte europeu com personagens como Thor, nas produções da Marvel, e mais recentemente com Kratos, em “God of War”. Agora a Ubisoft resolveu beber na fonte das valquírias, com “Assassin’s Creed: Valhalla”, game que chegou ao mercado no dia 10 de novembro junto com o poderoso Xbox Series X, mas com edições para PC, PS4, PS5 e Xbox One, com edições que variam de R$ 200 a R$ 500.

Valhalla, que também pode ser grafado com Valhala, Valíala ou Walhala, vem do nórdico antigo Valhöll. Numa tradução literal, significa Salão do Mortos, localizado na mitológica Asgard. É para lá que o deus Odin leva seus grandes heróis. Para os vikings, é o que os cristãos chamariam de paraíso, só que mais exclusivo. Quando mortos, eles são conduzidos pelas valquírias, mulheres com asas, que são um tipo de anjo. Assim, naquela época, todo mundo queria um lugar no Club Med de Odin.

O game foi desenhado para entregar o máximo de performance à nova geração de consoles. Nele, é possível ajustar diferentes parâmetros de vídeo e áudio. Ele também oferece ajustes de controle de exibição (que permite cenas violentas) e até nudez. Como aconteceu em “Odyssey”, o jogador pode jogar como homem ou mulher. No game anterior era necessário definir o sexo no inicio da campanha. Dessa vez é diferente e é possível trocar de corpo quando quiser. 

O jogo

Eivor viu os pais serem mortos num confronto com Kjotve, o Cruel. O pai se entregou para poupar o clã, mas o vilão não poupou ninguém e ainda levou o machado dele. Eivor consegue fugir com a ajuda de seu irmão Sigurd. Depois de 17 anos, Eivor se livra de uma emboscada e reencontra o machado. E é aí que a trama começa.

“Valhalla” segue o mesmo padrão dos últimos games da franquia. Seu mapa é gigantesco e apinhado de tarefas extras. Lembra das configurações? Pois é, o jogador pode habilitar um modo de navegação em que tarefas, riquezas e desafios não ficam espetados na tela. Isso exige que o jogador faça uma varredura completa no mapa, o que torna o game mais desafiador. 

Combate

O mecanismo de combate ficou mais simples. Em “Assassin’s Creed: Origins” (2017), título que levava o jogador para o Egito, foram incorporadas mecânicas de ataque e defesa extraídos de “For Honor” (game de luta online de 2016). Era legal, mas um tanto burocrático. 

Em “Odyssey” ele foi simplificado. Agora é R1 para ataque leve, R2 para ataque pesado, L1 para defesa e L2 para armar o arco. No Xbox, a lógica é a mesma. Isso dá mais fluidez ao jogo. Mas o jogador deve ficar atento à sua barra de energia. Assim como em “Nioh”, o jogador, após golpes e defesas, fica sem fôlego. Nessa hora é preciso recuar para não ser atingido e recuperar o gás. 

Gráficos

A Ubi gosta de caprichar no visual de seus games. Em “Valhalla” não foi diferente. Se há uma semana “Watch Dogs: Legion” mostrou uma Londres detalhada, agora expande para um reino gelado. O game tem visual incrível, com belos cenários e incontáveis elementos históricos. Muitos deles serão novidade para o público, pois não são tão populares como as grandes construções egípcias e gregas. 

Um dos destaques é a câmera cinematográfica, parecida com aquela de “Red Dead Redemption 2”. Ela permite contemplar o jogo em diferentes ângulos como se fosse num filme. 

Quem jogar no PS5 e no Xbox Series terá um show de imagens diante dos olhos ainda mais refinado que nos aparelhos veteranos. No entanto, ainda assim é um jogo que entrega uma imersão muito legal no PS4 e Xbox One, com direito a caprichos como o vapor da respiração em locais gelados, rastros e neve grudando nas roupas.