Não existe rixa mais ardida que a eterna disputa entre “FIFA” e “PES”. Cada franquia das quatro linhas tem suas torcidas organizadas, mas que não se mostram tão leais como com seus times do mundo real. Quando uma franquia vai mal, a galera muda de camisa sem menor remorso. E precisamos ser justos que nesse clássico, o game EA Sports tem exibido um futebol mais bonito, literalmente. 

Para tentar virar o jogo, a Konami mudou completamente sua formação em campo. Ela lançou, no dia 30 de setembro, o “eFootball 2022”, de graça, um dia antes de “FIFA 22”, que parte de R$ 290. Além da mudança de nome e custo zero, o game também mudou sua estratégia. Agora o jogo tem foco nas partidas online. O jogador não terá mais campeonatos solo. É possível jogar sozinho com até quatro joysticks simultâneos em partidas rápidas. 

A lista de times para essas breves exibições também é enxuta: Arsenal, Barcelona, Bayern de Munique, Juventus, Manchester United, além dos brasileiros Flamengo, Corinthians e São Paulo. Também faz parte da lista o portenho River Plate. Para jogar online há uma grande variedade de times, inclusive brasileiros, como o Atlético. Cruzeiro e América também deverão engrossar a lista da Konami.

O jogo

A primeira partida offline de “eFootball 2022” é um amistoso entre Portugal e Argentina. A escolha não se deve ao atual retrospecto das duas seleções, mas simplesmente porque há o duelo entre Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, este que é o garoto propaganda do game. Ele aparece trajado com um uniforme do jogo, uma vez que o PSG não figura na lista dos clubes offline. Se o hermano ainda estivesse no Barça, talvez poderia aparecer com a indumentária catalã. 

A primeira impressão que se tem é que o game é feio. Mas não é uma surpresa, quando testamos a versão Pre-Alpha “New Football Game Online Performance Test”, em junho, o game assustou pelo visual grosseiro. Na época, a Konami se pronunciou alegando que se tratava de um game em desenvolvimento e que os gráficos não representavam a versão final.

Fato é que a versão final chegou e é graficamente medonha, até mesmo com os grandes craques. Não é surpresa para ninguém que as estrelas da bola têm um tratamento especial na produção de um jogo. Jogadores como Messi e CR7 são desenhados com o máximo de esmero. Mas em “eFootball” eles estão desfigurados. O game é feio no PS5, no Xbox Series X e nos veteranos PS4 e Xbox One. Além disso, apresenta bugs gráficos que lembram jogos de PS2. 

Olha a batida!

Na versão brasileira, a dupla Milton Leite e Mauro Beting ficam encarregados de narrar e comentar as partidas. E sem sombra de dúvidas eles são o ponto alto do jogo. Os velhos bordões e piadas estão lá. Mas há atrasos em alguns comentários, gol sem grito e outros problemas de sincronização. Aliás, atraso e falta de sincronismo é uma constante no game, tanto online quanto no offline.

Jogabilidade

A jogabilidade se mostrou pior em relação aos anteriores. “PES” sempre foi gostosinho de jogar. Tinha um toque de bola fácil, sem aqueles excessos de realismo de “FIFA”. Sempre foi um game maroto. Mas agora ficou ruim.

Isso porque os comandos lentos. Você sempre chega atrasado na dividida. Dar um carrinho é algo perigoso, pois após dar o comando, o jogador demora para executar e vai sempre no tornozelo do adversário. Ou seja, é falta. Daí, o melhor é parar na frente do jogador e deixar que ele trombe no seu defensor. Nem na várzea é assim. 

Na verdade tudo é demorado, até a troca de jogador é lenta. Você aperta o “L1” e nada acontece. Chega a ser desesperador. Para finalizar, nunca se tem a “pressão” ideal do chute.

O grande prejuízo de jogar “eFootball 2022” não é pelo fato de ser um jogo ruim, mas principalmente porque ele afeta o seu condicionamento em jogar “FIFA”. Os controles são fixos e têm posições diferentes. Por exemplo, enquanto se cruza com “quadrado” e chuta com a “bolinha” no game da EA, no jogo da Konami a ordem é inversa. 

E para mudar é um inferno. No PS4 não encontrei o caminho. Um colega disse que conseguiu inverter as teclas de chute e cruzamento no PC, e nada mais. Assim, depois que se termina de jogar “eFootball” é preciso bater uma bola no “Fifinha” só para recuperar o condicionamento.

Online

No modo online há muitos times para o jogador escolher. Mas pense duas vezes em ouvir o coração e escolher seu time. Isso porque quando se escolhe uma equipe, o jogador não pode trocar de clube. E a esmagadora maioria dos rivais que você encontrará pelo caminho se apresentarão com o Paris Saint-Germain de Messi, Neymar, Mbappé, Di Maria e Sergio Ramos, com rating máximo. 

Mas o que chamou atenção foi como o game estava “vazio”. Encontrar um jogador para partida tem sido demorado demais. Até quando se buscava jogadores mais distantes (o que compromete a qualidade da conexão) custamos a encontrar alguém (com seu PSG a postos). Talvez seja pelo fato de ter chegado junto com “FIFA 22”. Quem pagou pelo game certamente vai querer fazer jus ao dinheiro investido. E como o “eFootball” é de graça, deixa para quando der. 

Veredito

O que se viu em “eFootball 2022” é que a Konami quis criar um game gratuito com apelo online. Uma espécie de “Warzone” e “PUGB” da bola. Os gráficos toscos deixam claro que o game será mais simples para abarcar o máximo de plataformas possíveis. Mas pelo visto ela conseguiu foi apenas repetir a vergonha que a CD Projekt RED viveu no ano passado com a publicação de “Cyberpunk 2077”. 

Assim, a Konami lançou um game defeituoso para tentar “furar” a EA Sports e tropeçou de forma bizonha. É como sempre narra o sábio e irreverente Milton Leite diante das patacoadas da bola: “É agora que eu ‘se’ consagro!”