Abordar temas como problemas psicológicos se fazm necessário para a compreensão e respeito às pessoas que sofrem com transtornos, que fazem com que seu comportamento fuja ao que é aceito como padrão social. No entanto, entrar nessa seara, apesar de necessário, exige tato e sensibilidade. E é o que “Psychonauts 2” faz de forma lúdica, mas instrutiva e questionadora.

O segundo título da série do engenhoso estúdio Double Fine, fundado por Tim Schafer (ex-LucasArts), chega para dar sequência à produção de 2015, que apesar de elogiada foi um desastre de vendas. O game coloca mais uma vez o jogador na pele de Raz, um jovem acrobata com habilidades telepáticas.

Raz simboliza justamente as distorções sociais em torno do diferente. O personagem é rejeitado pela família por conta de seus poderes. Trata-se de uma metáfora em torno de muitas pessoas que sofrem preconceito por conta de deficiências, transtornos ou até mesmo por habilidades extraordinárias como elevado nível de inteligência. 

Na trama, o protagonista entra para um acampamento especial e desenvolve novos poderes. Lá, descobre que um dos líderes do local, Dr. Loboto, pretendia usar os cérebros dos telepatas para equipar armas. Raz descobre que o vilão tinha conflitos de infância, envolvendo seu pai. E o transtorno é o que alimenta seu ódio.

Tanto Raz, quanto Loboto expõem sofrimentos psicológicos que atingem grande parte das pessoas. No entanto, ainda são vistas de forma preconceituosa e sem a devida atenção. Schafer busca criar uma reflexão sobre saúde mental, usando os games. 

Tudo isso é colocado de forma bastante discreta na trama. Afinal, não se trata de um game para ensinar a lidar com transtornos. Mas dentro da história, os produtores sugerem reflexões sobre como lidar com tudo que não é igual e nem considerado “normal” por nós mesmos.

O jogo

“Psychonauts 2” é um game de plataforma 3D que oferece recursos triviais de qualquer game do estilo. Saltar, esquivar, atacar e usar habilidades especiais. No entanto, tudo é salpicado de um enredo com elementos surreais, que exploram a temática envolvendo a mente.

O jogador se envolve em missões que parecem existir apenas em sua imaginação. Ele precisa utilizar seus poderes telepáticos para conseguir vencer os quebra-cabeças e saber lidar com os inimigos, assim como as vulnerabilidades dos chefes de fase. 

O game é intuitivo e o jogador não demora para entender a lógica dos comandos e nem mesmo as alternâncias de câmera, que fazem o jogo bastante dinâmico. É um game desafiador.

Gráficos

A direção de arte do game é brilhante. Schafer, que já trabalhou em grandes títulos da LucasArts como “Day of the Tentacle”, “The Secret of Monkey Island”, “Grim Fandango” e “Full Throttle” parece ter descarregado toda bagagem estética sobre o game.

Logo no início do jogo há uma cena em que aparecem dentaduras de corda gigantes, atacando um dos personagens. Quem jogou “Day of Tentacle” irá se lembrar de que a dentadura de brinquedo é um item fundamental no desenrolar do game. O próprio Dr. Loboto remete ao lunático Dr. Fred Edson, de “Maniac Mansion”, antecessor de “Day of the Tentacle”. 

Com personagens cartunescos, cenários surreais, que alteram o padrão de jogabilidade, trata-se de um game em que o visual não é apenas um pano de fundo, mas um elemento que envolve o jogador. 

Palavra final

“Psychonauts 2” é um game fantástico. Ele chega para enriquecer uma safra de jogos que fogem do senso comum, como o excelente “Lost in Random” - que busca na narrativa recursos para ir além de uma combinação de comandos. O game instiga o jogador a refletir sobre assuntos delicados, mas sem ser doutrinador ou criar rótulos.

Ele mostra de forma sutil como a não compreensão de diferenças ou problemas emocionais podem causar danos nos indivíduos e ter reflexos na sociedade. Tudo diluído em muitos pulos, poderes, personagens caricatos e missões divertidas, mas que nos fazem refletir.

Disponível para PC, PS4, Xbox Series X/S e Xbox One, com preços entre R$ 250 e R$ 320.

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