A franquia "Resident Evil" se tornou o principal produto da Capcom. Na lista dos 10 games mais vendidos da produtora, "Monster Hunter World" figura no topo com 14,9 milhões de cópias vendidas até dezembro de 2019. No entanto, nas nove posições restantes, a série dos zumbis de Raccoon City ocupam cinco delas e somam 32,8 milhões de cópias vendidas. Para se ter uma ideia, apenas a edição de Super Nintendo de "Street Fighter 2" aparece no Top 10, com 6,3 milhões de cópias. O restante da lista oficial da empresa segue com três episódios de  "Monster Hunter", que somam outras quase 15 milhões de unidades.

Tudo isso serve para mostrar porque a Capcom investe tanto em reedições e remakes de "Resident Evil". A série que chegou em 1996 tomou emprestado elementos de games como "Phantasmagoria", "Alone in the Dark" e "Sweet Home" para lançar criar um culto aos zumbis, que até então eram vistos como personagens secundários e estúpidos nas produções de terror.

E "Resident Evil 3" chega como o mais novo ramake da série. O game coloca conta em alta definição o drama de Jill Valentine contra o terrível Nemesis. Trata-se de uma arma biológica que foi lançada em Raccoon City para eliminar as testemunhas que tiveram contato com o laboratório secreto da Umbrella (no primeiro game), em que a policial fazia parte da equipe. 

O game se passa horas antes dos acontecimentos de "Resident Evil 2". Além disso, é possível passar pelos mesmos cenários do game anterior e entender muito do que é visto em "RE2" e cruzar com personagens, momentos antes da aventura de Claire e Leon. Isso é uma sacada bem legal. Quem não jogou o episódio anterior deveria jogá-lo pois, apesar de não ser fundamental para o entendimento, as histórias se complementam.

Visual e jogabilidade
Visualmente, o game tem o mesmo padrão de qualidade visual de seu antecessor. Ele também foi desenvolvido com motor gráfico RE Engine, mesma ferramenta utilizada no épico "Resident Evil 7". A jogabilidade também é muito parecida, com os mesmos padrões de menus e comandos.

No entanto, "RE3" é mais acelerado que o "Resident 2". As tarefas são mais óbvias, assim como as pistas para abrir trancas e cofres. No Metacritic (site que indexa as avaliações de games), as notas dos jogadores foi 6,3, na edição para PS4 (a mesma que fizemos o teste). Já nos reviews de publicações especializadas a nota foi 80.

Parte das reclamações é que o game é muito curto, em relação o jogo original, publicado em 1999. De certa forma as coisas acontecem de forma mais frenética. No entanto, vale lembrar que o game original tinha uma mecânica mais cadenciada e uma limitação visual absurda. Encontrar objetos não é tão óbvio como agora. E seus comandos eram bem mais lentos. Tudo isso interfere no desenrolar da história.

Mas fato é que o jogo se desenrola numa frequência mais pulsante. Uma das razões é o fato de o vilão Nemesis ser um perseguidor implacável e capaz de provocar mutações nos zumbis. Assim, não convém ficar de bobeira. É preciso resolver tudo com rapidez. 

Carlos
No game, o jogador também controla o personagem Carlos. Ele é um mercenário da Umbrella, que foi enviado para resgatar um cientista capaz de produzir a cura para o vírus, que provoca as mutações. O personagem tem grande participação no estado em que Leon encontrará a delegacia de Raccoon City, em "RE2".

Carlos entra na trama munido de um rifle e bastante munição. Isso encoraja qualquer jogador a enfronhar em corredores escuros, como se fosse o Chuck Norris. Condição bem diferente da que se tem com Leon e Claire, no game anterior, em que eles começam com um pistola e pouca munição. A metranca de Carlos é eficaz e permite avançar rápido e não temer ameaças como os grotescos Lickers. 

Aliás, a oferta de armas e munição é farta no game. A própria Jill evolui da pistola para escopeta rapidamente. Além disso, as melhorias de armas são bem mais fáceis de se obter, o que torna o game mais dinâmico. Mas vale lembrar que os zumbis são mais teimosos e exigem muita munição.

Faca amolada
Para se ter uma ideia da proposta mais dinâmica do game, as facas de Jill e Carlos não se danificam com o uso, diferentemente do game anterior. Assim, na pior das hipóteses você amarra uma faixa na cabeça e parte para cima dos monstros com a faca nos dentes e a certeza de que ela não irá perder o gume.

Palavra final
"Resident Evil 3" é um ótimo game. Apesar de mais acelerado que o game anterior, assim como o original, ele é intenso. A presença constante de Nemesis é um fator que eleva a tensão do jogo. Em parte, penaliza a exploração e contemplação do cenário. No entanto, injeta uma carga dramática cinematográfica à trama. 

"Resident Evil 3" tem versões para PC, PS4 e Xbox One, com preços a partir de R$ 250.