Momentos políticos marcantes, como a posse do presidente Jair Bolsonaro, movimentam não só os comentários sobre direcionamento ideológico e econômico. São responsáveis, também, pelos burburinhos entre fashionistas e especialistas da área. O assunto é abordado desde o surgimento da moda, no século XV, quando da ascensão da burguesia.

No evento do último dia 1º, a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, foi protagonista de quebra de protocolo, discursando em Libras e antes do marido. No entanto, no estilo, a ex-secretária parlamentar mostrou que entende sim de normas e formalidade.

Provas disso foram as opções pelo vestido de zibeline de seda rosé, confeccionado em modelagem de alfaiataria, para a posse, e o longo preto coberto de renda Chantilly usado na recepção no Itamaraty.

“Optou pela sobriedade no tecido e modelo, mas feminino no decote e na cor. A junção desses elementos apresentou à população brasileira a imagem de uma mulher decidida que não abre mão da feminilidade”, declara Patrícia Carvalhais, coordenadora do curso de Estética das Faculdades Promove.

Michelle soube balancear bem os estilos que tem para não ficar arrogante e nem frágil demais, acredita Aline Viana, consultora de imagem e professora da Escola de Moda Denise Aguiar. 

“O modelo ombro a ombro, com inspiração na década de 1950, dá um toque de jovialidade ao discreto vestido mídi, que sempre pontua seriedade. Além de clássica, a aparência estava romântica, isso faz com que o público se sinta mais próximo. O rosé a deixou mais acessível, mas o corte reto mostrou que é alguém firme”, coloca.

Michelle e Jair Bolsonaro

Segundo vestido usado no dia da posse foi confeccionado em renda Chantilly; peça foi escolhida por Michelle para a recepção no Itamaraty

Opções

Os trajes foram confeccionados pela estilista paulistana Marie Lafayette, responsável pela criação do vestido de noiva de Michelle, em 2013, no casamento com Bolsonaro. 

Diretora da escola em que Aline dá aula e professora de design de moda, Denise Aguiar ressalta a opção da primeira-dama. “Ela poderia ter trajado a grife mais cara, sapatos estrelados, mas disse muito mais a que veio ao optar por apreciar a mão de obra brasileira”, coloca.

De acordo com Marie, em entrevista ao Estado de S. Paulo, houve relação de confiança entre ela e Michelle nas escolhas. “O modelo (da posse) surgiu batendo um papo, uma coisa bem descontraída, fui desenhando e ela gostou muito. É um vestido que tem muito a ver com quem ela é, uma pessoa muito discreta “, contou a designer.

Discrição destacada pela especialista Aline Viana. “Acredito que uma primeira-dama deva pensar sempre na modelagem de tudo que usar. Nada marcando o corpo ou com a pele à mostra demais. Outro ponto são as cores. Nem fortes nem apagadas demais. Ela acertou em cheio”.

Michelle Bolsonaro

O estilo clássico também está presente no dia a dia de Michelle Bolsonaro

Críticas

Apesar dos elogios, a consultora de imagem critica o preto do segundo look. “É uma cor forte que representa poder, modernidade, prestígio e sobriedade, mas também pode afastar as pessoas. Acredito que outra cor cairia melhor, como o azul marinho, que é mais refinado ainda”.

Na opinião de Denise Aguiar, apenas o tecido do primeiro vestido poderia ter sido repensado. “Talvez uma opção por algo mais leve, devido ao clima quente de Brasília e ao tempo de apresentação”, diz, expondo que o zibeline, por ser encorpado, pode esquentar, trazendo desconforto para quem usar. 

Abaixo, relembre algumas das primeiras-damas que chamam ou chamaram atenção pelas escolhas de estilo.

Primeira-dama

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