Reaproveitamento de materiais, nova formas de uso e mínima geração de resíduos. Princípios que norteiam o conceito de sustentabilidade chegaram à decoração. Tradicional em Belo Horizonte, a mostra Morar Mais Por Menos, que abriu as portas na última semana e brinda a cidade com quase um mês de boas ideias, prova que é possível ter ambientes sofisticados e personalizados gastando pouco.

Um dos espaços mais criativos é a adega da casa. Designer de interiores que participou do projeto, Vívian de Paula conta que foram usadas chapas de MDF para encapar parte da alvenaria e evitar a geração de entulhos de uma possível demolição. “Ser sustentável é mais do que plantar árvore. É cuidar da natureza sem gerar poluição”. Mais barata, madeira com aspecto de granito foi usada no revestimento interno dos armários e na confecção de uma luminária 100% customizada.

Mostra Morar Mais Por Menos 2019

ADEGA 434 - Espaço assinado por João Mariose, Ionah Pinho, Silvina Mattone e Vívian de Paula privilegiou o conceito ao reduzir a geração de resíduos durante a excutação da obra do espaço. Armário que já existia no local foi revestido com MDF que imita granito preto. O mesmo material foi utilizado para confeccionar a luminária (no fundo, em frente à janela), exemplar de customização, que também leva corda de sisal

A cozinha funcional também traz exemplos de novos usos para velhos objetos. Potes de vidro usados para armazenar mantimentos viraram luminárias fixadas em uma base de madeira de demolição. Ideia para um lustre criativo e pra lá de original. Para arrematar, as quatro profissionais responsáveis pelo ambiente utilizaram plantas artificiais, que remetem ao conceito de biofilia, à conexão com a natureza. 

Banheiros

Responsáveis por dois ambientes da casa, as designers Camila Alvarenga e Cláudia Lima também não se furtaram de buscar alternativas sustentáveis para arrematar o banho da galeria e o do casal, respectivamente. Assinados por outros cinco profissionais, os banheiros privilegiam ideias que custam pouco, mas fazem toda diferença. 

No primeiro espaço foram construídos um lustre com cabos de vassoura e um painel com rolhas de cortiça. No segundo, a ideia que mais salta aos olhos foi a reciclagem de um tambor usado originalmente para armazenar produto químico. “A pintura laqueada, feita com tinta automotiva, e a tampa dourada mesclam o simples ao sofisticado para criar esse efeito diferente, mas muito bonito”, detalha Cláudia Lima. 

Mostra Morar Mais Por Menos 2019

BANHO DO CASAL - Originalmente usado para armazenar produtos químicos, o tambor foi reciclado e customizado para servir de apoio para a cuba. Objeto é ponto alto do ambiente, que tem porcelanato imitando madeira, no piso, e um pergolado cobrindo a janela, que data da construção do imóvel, na década de 1950

Representantes do café construído na mostra, as arquitetas Helga Freitas Pompeu, Maura Kupidlowsky e Mirelli Medeiros, da Polis Arquitetura, também capricharam na concepção do projeto, que privilegiou a durabilidade dos materiais e os conceitos de sustentabilidade e brasilidade. O espaço imprime o clima intimista dos quintais de Belo Horizonte com plantas frutíferas e ervas aromáticas, além de trazer madeiras, que são fontes renováveis. 

Morar Mais Por Menos 2019CAFÉ - Trio da Polis Arquitetura – Helga Freitas Pompeu, Maura Kupidlowsky e Mirelli Medeiros – escolheu materiais eficientes em todas as fases do ciclo de vida. No mobiliário e no balcão foram usados corda náutica e madeira maciça, que têm grande durabilidade e diminuem o impacto ambiental. No piso, o grafismo, exemplo de customização, foi feito sem pigmentos, apenas com jato de água. Outro exemplo de sustentabilidade foi a incorporação de características muito presentes nos quintais de BH, com árvores frutíferas e hortas, valorizando, sobretudo, a história do Cidade Jardim – bairro onde está localizada a casa sede da mostra

“A ideia do preço justo, do mais por menos, é valorizar escolhas acessíveis, ao mesmo tempo encantadoras. A sustentabilidade do projeto está ligada a essas escolhas, que priorizam materiais eficientes em todas as fases do ciclo de vida”, detalha Helga. 

Espaço amplo e cheio de personalidade, a sala de jantar e conversação é outro ambiente que preza pelo hi-lo – mix do simples com o sofisticado. Embora tenha utilizado tecidos nobres, como linho e couro, a designer de interiores Andréa Azevedo fez um contraponto com a simplicidade dos grampos acobreados, moldura para o carrinho de chá. “A proposta é garimpar móveis e objetos, provando que é possível ter uma decoração interessante e aconchegante, de uma maneira express”, explica. 

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Esta é a 16ª edição da mostra Morar Mais Por Menos, que nasceu no Rio de Janeiro, em 2004. Além de BH, o evento já passou pela capital carioca, por Brasília, Goiânia, Campo Grande, Cuiabá, Vitória, Recife, Rondônia e Salvador. Este ano, São Paulo e Curitiba também são sede, além de Porto Alegre, que faz estreia. 

Um dos maiores desafios da exposição, em cartaz na capital mineira até 22 de setembro, é criar espaços bacanas com alternativas que respeitem o bolso do consumidor. Dentre os valores preconizados, respeitados pelos 72 profissionais participantes, estão sustentabilidade, inclusão social e brasilidade mesclados ao incentivo à tecnologia e à economia local. 

“O principal pilar é o conceito hi-lo, que dosa peças mais caras a outras, mais acessíveis. Não falamos em barato, mas em peças com excelente custo-benefício, que traduzem o diferencial da Morar Mais, o ‘mais por menos’”, enfatiza a realizadora e curadora do evento na capital mineira, Josette Davis.

Visitas à 13ª edição do evento de Belo Horizonte podem ser feitas das quartas às sextas-feiras, das 16h às 22h; aos sábados, das 13h às 22h; e aos domingos e feriados, das 13h às 19h. A casa-sede fica na Rua Conde de Linhares, 434, no bairro Cidade Jardim, Zona Sul de BH. A entrada custa R$ 50 (idosos e estudantes pagam meia). 

Confira galeria com fotos de todos os ambientes da mostra Morar Mais Por Menos. Inspire-se!