“O que essa multiplicidade de filmes nos coloca é que preto não é tudo igual, há uma pluralidade de existências”. Essa ponderação da professora de Cinema e uma das curadoras da mostra Cine -Escrituras Negras, Tatiana Carvalho Costa, sinaliza bem o que vislumbra a 1ª Semana de Cinema Negro de Belo Horizonte.

A riqueza de possibilidades de expressão que o conjunto de filmes oferece, aponta Tatiana Carvalho, passa pela questão do espelhamento, de as pessoas reconhecerem suas próprias histórias na tela, de enxergarem que a experiência negra não é marcada só pela violência e pelo trauma.

“Essa onda de cinema negro tem a ver com uma trajetória que vem dos anos 70, que cria uma possibilidade de existência das pessoas negras no cinema”, acentua a professor de Cinema 
Tatiana Carvalho Costa
 

E isso é instigado também por obras que propõem projeções de futuro ou reescritas de passado, diz ainda a professora, destacando o documentário “Filhas de Lavadeiras”, de Edileuza Souza, que traz entrevistas com mulheres que romperam a tradição de trabalho doméstico.

Juventude produtiva

Integrante do movimento Segunda Preta, Tatiana Carvalho Costa ressalta que a importância desta 1ª Semana de Cinema Negro está em aspectos como a força da cena preta artística da capital, que tem a ver com uma juventude que produz arte, mas, também, com uma ancestralidade permeada de significados reluzentes.

A pandemia, por sua vez, que escancarou as diferenças sociais no país, trouxe um desafio gigante, para a produção, para a curadoria da mostra, admite Tatiana: “Há um público que está com acesso precário à internet, majoritariamente negro, com o qual a gente tem vontade de dialogar”.

O festival nasce on-line, em razão da pandemia, aponta a professora, mas não pretende permanecer só no mundo digital.

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