Tornar-se alvo perfeito para uma vaga de emprego requer mais que um bom currículo, reciclar-se e aprimorar habilidades desenvolvidas ao longo da carreira. Saber como chamar a atenção de headhunters (literalmente um caçador de cabeças do mundo corporativo) faz toda a diferença. 

Cada vez mais visíveis e, portanto, disponíveis, sobretudo em função do alcance das plataformas virtuais, esses caça-talentos podem ser despertados de diversas maneiras, desde que os limites profissionais não sejam ignorados na hora de fazer contato.

“Buscar o caminho comum é ético e necessário. O headhunter está exercendo ali (em um evento social, por exemplo) papel de pessoa jurídica, de alguém que tem a missão de representar o interesse de um cliente”, reforça a coach Bela Fernandes, consultora da Aylmer Desenvolvimento Humano. 

Na avaliação dela, nessas horas é fundamental manter o foco no objetivo principal – fazer uma propaganda pessoal bem feita e, quem sabe, virar potencial candidato –, direcionando o processo de “conquista” da forma mais isenta possível. 

Empatia

CEO, board advisor e headhunter da Prime Talent, em Belo Horizonte, David Braga acredita que ser discreto e direto na abordagem do recrutador também ajude não só a facilitar o primeiro contato como a criar empatia e despertar mais interesse.

“A comunicação deve ser direta, clara, objetiva, feita de forma muito concisa. Numa rede social, por exemplo, nada de fazer relatório e contar todas as experiências pelas quais já passou, nem de convidar para um café. Relações se baseiam em empatia e ser breve torna tudo mais interessante”, reforça.

“QI”

Cultivar uma boa rede de contatos também passa pela lista do “tem que ter” de quem almeja estar no radar dos caça-talentos. Afinal, o famoso “QI” (o quem indica alguém para determinada vaga), apesar de criticado por uns, é apreciado por outros, diz Braga. 

“As pessoas têm ficado receosas de fazer indicações, afinal, o nome delas vai junto. Por isso, a indicação, quando bem feita, tem um peso muito grande no processo de contratação. Os recrutadores pressupõem que ninguém vai recomendar um mau profissional”, comenta o headhunter.

Segundo ele, também faz parte do código de conduta manter as portas sempre abertas, independentemente do momento vivido pelo profissional. “Às vezes, não há interesse em mudar de emprego. Ainda assim, manter as portas abertas é importante. A negativa de um contato quebra a sintonia”, afirma. 

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LinkedIn facilita conexões e ajuda a encurtar caminho

Maior rede de contatos profissionais do mundo, com mais de 500 milhões de usuários cadastrados, o LinkedIn é outra ferramenta indispensável para quem quer entrar na mira dos recrutadores. Vitrine de experiências e competências individuais, a plataforma, quando bem explorada, ajuda a encurtar o caminho entre quem procura e quem quer ser encontrado.

Coach e consultora da Aylmer Desenvolvimento Humano, Bela Fernandes ressalta a importância da rede, cujo cadastro mais básico é gratuito, mas lembra que é arriscado colecionar contatos sem que haja um direcionamento de carreira bem definido. “Uma rede abarrotada de nomes que são simplesmente colecionados é facilmente percebida e pouco apreciada”, alerta.

Mais do que manter um network farto, recheado de contatos e possibilidades de conexões, o mais importante, segundo a profissional, principalmente para quem busca uma nova chance no mercado de trabalho, é que ele seja coerente com as posições almejadas. 

Diretora regional em Minas da consultoria Lee Hecht Harrison (LHH), Beth Barros compartilha da opinião e reforça a importância de estar presente no ambiente virtual. “Em tempos de transformação digital e de redes sociais, é importante manter um currículo atualizado e organizado bem como um perfil no LinkedIn. O headhunter acompanha a trajetória do profissional”, destaca.

Porta aberta

CEO da Prime Talent, David Braga recomenda que as conexões virtuais sejam feitas com cautela, sobretudo ao abordar um recrutador. A dica dele, também headhunter, é que o candidato à vaga ofertada procure criar conexões com os demais usuários da plataforma, lendo e opinando sobre artigos em assuntos nos quais tenha interesse, por exemplo. 

“Evitar segmentar demais as redes virtuais é outro cuidado. Além de restringi-las, mantendo abertas somente informações estratégicas”, ensina. 

29 milhões é o número de brasileiros conectados no linkedin; país é o 3º maior mercado da rede, disponível em 200 nações

Arte headhunter

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