Já faz um bom tempo que o notebook substituiu o desktop em lares e escritórios. No entanto, monitores e torres ainda resistem devido a necessidades específicas, como performance elevada para jogos, softwares 3D, edição e demais tarefas que exigem placas gráficas robustas e sistemas de resfriamento quase automotivos. No entanto, o notebook gamer deixou de ser um brinquedo luminoso de luxo e se transformou numa opção para quem precisa de mobilidade e desempenho.

E quem explica isso é o gerente de produtos da 2A.M, marca especializada em notebooks de alta performance, Felipe Oliveira, que aponta que seus clientes deixaram de ser apenas jogadores notívagos. Para se ter uma ideia da demanda, a programação de vendas para 90 dias do mais recente produto da marca se esgotou em um mês, o que obrigou a abertura de uma lista de espera que teve mais de 20 mil inscrições.

“Há dois anos tínhamos uma linha de produtos voltada apenas para o gamer e só falávamos com o ele. Pois nosso entendimento era de ter uma máquina portátil que permitia ao nosso cliente jogar. No entanto, fomos identificando, ao longo dos meses, que grande parte dos consumidores buscavam essa máquina para trabalhar e no tempo livre rodavam um joguinho. Hoje temos arquitetos, engenheiros, fotógrafos, designers e programadores, que precisam de placa de vídeo, razão por buscar um notebook gamer. Isso mudou nossa forma de se comunicar com o mercado”, aponta.

Nova estratégia

Para atender esse perfil de clientes, a marca precisou ir para o grande varejo, em sites de compras onde esse novo consumidor costuma a fazer suas pesquisas. “Claro que nosso núcleo de negócio ainda é o consumidor gamer, mas passamos a nos comunicar com o arquiteto e com o engenheiro. Mostramos para eles a usabilidade do computador em seu trabalho”, comenta, que deixa claro que o visual.

Mas além de figurar nos grandes varejistas online e mostrar como a máquina pode ser útil, Oliveira conta que também foi necessário oferecer configurações diferentes. A marca é a única que oferece notebooks com processadores de desktop, o que permite upgrade de CPU, algo que é extremamente complexo num notebook, que utiliza chips específicos.

“Para podermos usar esse tipo de processador, foi preciso um trabalho de engenharia muito forte para garantir a eficiência em refrigeração. Tanto que utilizamos circuitos de resfriamento independentes para a CPU e para a placa de vídeo, assim como gerenciamento das ventoinhas para garantir que a temperatura não exceda”, explica Oliveira. 

Ele pontua que o único possível senão é a espessura. Afinal para caber a parafernália de um PC de mesa num notebook, sem que ele derreta, não se pode exigir que ele seja fininho.

Numa tradução literal, tudo isso significa que o 2A.M permite não apenas a troca das unidades de memória RAM e armazenamento, mas também seu processador. Ou seja, um upgrade mais consistente que pode prolongar a vida útil da máquina, sem perda de performance. Outro ponto positivo para o uso de processadores de desktop é que eles tem clock mais altos que os processadores para notebook, o que se traduz em maior agilidade na execução das tarefas.

Preços

Claro que performance não sai de graça. Um notebook 2A.M parte de R$ 5.500, na configuração de entrada com processador Intel Core i5 (de nona geração), placa Nvidia GeForce GTX 1050, 8 GB de RAM e SSD de 256GB no padrão NVMe e salta para R$ 6,5 mil com 16 GB de RAM e processador Core i7. 

“A alta do dólar e a redução dos incentivos fiscais impactaram em nossos preços, quando comparamos com os valores praticados em outubro de 2019. Não dá para manter o mesmo preço com dólar batendo a quase R$ 6. Um produto de US$ 500 que trazíamos num momento em que a moeda valia R$ 3,8, por cerca de R$ 4 mil, hoje custa de R$ 6 mil a R$ 7 mil. É triste, pois nossa premissa, além de ser competitivo é entregar a melhor solução com o melhor custo. A gente tem esperança que o cenário melhore daqui em diante”, torce, o gerente. 

Ainda sim, são valores que flutuam numa faixa intermediária de preços para o segmento, com opções entre R$ 4,5 mil e R$ 12 mil.