Parte fundamental da sociedade e da cultura modernas, a moda está longe de ser uma temática superficial ou mesmo descartável, especialmente em tempos difíceis, como os de uma pandemia. Em momentos da história semelhantes a este em curso, a exemplo das grandes guerras e depressões mundiais, a moda apresenta nítidas transformações, refletindo as mudanças sociais, políticas e de identidade, além do consumo e da tecnologia. Mas, neste contexto atual, é possível traçar quais rumos essa indústria bilionária irá tomar? Especialistas apostam em alterações sutis, mas importantes, apesar do cenário recheado de incertezas.

“Não teremos mudanças muito drásticas em relação ao tipo de peça em que as pessoas têm interesse. Na verdade, muito pelo contrário. Boa parte da população mundial sairá empobrecida. E, nessa situação, recorremos a produtos mais baratos que, via de regra, não são feitos para durar, não serão atemporais e não terão um investimento muito grande em material e nem em design”, acredita Carla Mendonça, professora do curso de Moda da Universidade Fumec.

Os reflexos da diminuição do poder de compra também chamam a atenção de outro especialista no assunto. “Haverá maior cautela do consumidor em que gastar o orçamento, já que o cenário de empregos e trabalho está incerto; ampliação do consumo via digital; maior foco em roupas com conforto e durabilidade e uma ou outra peça excêntrica como consumo de indulgência; maior atenção a produtos muito diferenciados; e mercado local”, observa o trend hunter Aldo Clécius, professor do curso de Moda do Centro Universitário UNA.

Carla Mendonça corrobora com o pensamento da extravagância no vestir, mas destaca um fenômeno de consumo sazonal. “Quem (as empresas de moda) tinha pronto agora roupas mais confortáveis, como aqueles ‘aerolooks’, está vendendo ‘muito bem, obrigada!’, porque são roupas para as pessoas ficarem em casa. Mas imagino que logo depois que acabar a pandemia, a gente vá procurar coisas mais extravagantes, funcionando quase como escapismo”.

Tecnologia

Em todos os momentos históricos, a constante evolução da moda ocorreu de mãos dadas com avanços tecnológicos velozes ou mesmo com a adaptação aos já existentes, como muito tem sido visto nos últimos meses. Para os especialistas esta é, sem dúvida, a maior contribuição do isolamento social para o presente e o futuro do setor.

“O que vemos agora é a aceleração de um fenômeno que já tinha começado. Era o que o desfile estava precisando para mudar, especialmente enquanto mídia, porque é muito caro para as marcas e, atualmente, não tem dado o retorno de visibilidade. Tem muita gente bacana trazendo coisas novas, como a estilista congolesa Anifa Mvuemba, que fez um desfile incrível digital, que você consegue ver as roupas perfeitamente. Aí você chega não só nos jornalistas e nos compradores, mas também no público final, porque as pessoas estão mais aptas a consumir esse tipo de coisa, mais confortáveis com a tecnologia”, coloca Carla Mendonça.

Já Aldo Clécius, apesar de crer nas benesses da tecnologia para o mercado fashion, levanta a importante questão do retorno do contato físico. “Está sendo uma ‘educação’ forçada para nos adaptarmos à realidade tecnológica, o que terá consequências permanentes. Mas é preciso pontuar que assim que houver uma vacina teremos, mais do que nunca, o desejo de sair, abraçar, tocar e sentir objetos e roupas, então acho que o presencial vai se tornar mais especial ainda, mais ritualístico, as lojas vão ter que agradar mais ainda aos olhos e ao coração do consumidor e elas serão um complemento, uma sinergia com o on-line”.

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