Steve Jobs, fundador da Apple, não se tornou uma das maiores personalidades do planeta por vender computadores com sistema operacional melhor que aqueles que rodavam Windows. E nem mesmo por inventar o iPod e o iPhone. Jobs era genial por criar necessidades embaladas pelo desejo de consumo. 

Há 15 anos, ninguém morreria se não tivesse um iPod, mas todo mundo queria ter um, nem que fosse para ficar rolando a rodinha de seleção de músicas, assim como ter um MacBook para exibir a maçã luminosa diante dos genéricos Dell e HP.

Hoje, um dos nomes da invenção de necessidades é a Amazon. E seu Ovo Fabergé se Echo Dot. Uma bolota de base achatada que se tornou companhia em dias de isolamento social.

A lista de modelos é ampla, com preços e modelos que variam de R$ 230 a R$ 1,4 mil. O Echo Dot testado custa R$ 285, na própria Amazon. 

E aparelho nada mais é um assistente pessoal, que roda o sistema Alexa, que funciona como o Siri, da Apple, ou Google Assistant e Samsung Bixby. A diferença é que ele não se atrela a um telefone. Fica na mesa de ouvido atento para quando você chamar. 

Durante o primeiro ano de pandemia, o aumento do uso de assistentes por voz aumentou 47% no Brasil, segundo a pesquisa publicada pela consultoria Ilumeo. O estudo divulgado no último trimestre de 2020, ainda revelou que dois terços dos usuários adotaram os assistentes como parte de suas rotinas. No ano passado, as vendas globais do Echo Dot cresceram 50% sobre 2019, muito em função do isolamento.

A bola

O assistente da Amazon está no mercado desde 2014. Ele chegou por aqui em noembro de 2019. O aparelho permite que o usuário pergunte sobre qualquer coisa. Conectado via WiFi, ele faz uma busca imediata sobre sua pergunta. Pode ser sobre culinária, frieira no dedão, dor de barriga, quanto custa um Lamborghini, quem foi o primeiro homem a pisar na Lua e qualquer outra dúvida. 

Além disso, essa bolota conta com despertador, informa a hora certa, lê as principais notícias, assim como o horóscopo do dia. É possível fazer perguntas bobas, do tipo: “Alexa, você tem namorado?”, “Alexa, você gosta de funk?”, assim como pedir para ela imitar o apresentador Silvio Santos. Segundo a fabricante, são mais 1,5 mil operações atualmente e a tendência é de expansão, já que a Alexa se atualiza de forma remota.

Ela também é capaz de guardar o registro de pesquisas. Na verdade, ela fica o tempo todo ouvindo o que passa no ambiente, algo que pode ser incômodo. Se o usuário quiser desativar o aparelho é só pedir para desligar, ou pressionar um de seus quatro botões.

Música e compras

Mas o Echo Dot não nasceu apenas para que o usuário fique perguntando amenidades ou besteiras. Ele toca música do serviço Amazon Music. Como num Spotify há um modo gratuito que reproduz músicas de gêneros ou bandas de forma aleatória. Mas caso seja solicitado faixa ou álbum específico, a Alexa aparece para oferecer um serviço de assinatura. 

O mesmo é válido para compras, o assistente permite encomendar produtos pela loja da Amazon. O usuário pesquisa sobre o produto, caso tenha no estoque da Amazon, ela informa detalhes e valores. Daí basta dar a ordem de compra e ela coloca o item na cestinha. Depois disso, basta conferir pelo smartphone ou confirmar a compra, caso já tenha cartão de crédito cadastrado.

Veredito

O Echo Dot é aquela geringonça que qualquer um pode viver sem, desde que não toque nela. Isso porque, a partir do momento em que se começa a utilizar o assistente, o usuário se deixa levar pela facilidade. Afinal, ele pode pesquisar sobre tudo na web, dar o noticiário, ajudar em pesquisas e claro, fazer com que você gaste seu dinheiro dentro da Amazon.

Ela ainda não é capaz de tomar decisões desumanas como o HAL-9000, de “2001”, ou a Mother, de “Alien”, mas às vezes assusta em suas respostas.