O forte impacto que tem a indústria da moda sobre o meio ambiente não é segredo para ninguém. Muitas fábricas batalham por processos menos poluentes e o movimento slow fashion ganha como adeptos os que já entenderam a relevância do consumo consciente para o futuro do planeta. 

Uma das peças-chave nesse caminho é, sem dúvidas, elevar a durabilidade das roupas. E alguns cuidados simples no dia a dia podem ajudar a preservar as peças, fazendo com que as mesmas sejam usadas ao máximo. Além de colaborar com a natureza, tratar bem os itens é parte essencial para um visual “nos trinques”.

O primeiro passo é entender quais tecidos devem ou não ser lavados à máquina. Para tal, deve-se estar atento à etiqueta de composição, aquela que geralmente está localizada na lateral interna das peças e contém informações de como lavar, secar e passar (veja a tabela com os símbolos mais comuns no fim da matéria).

De acordo com a especialista em cuidados têxteis da rede de lavanderias 5àsec, Marinês Cassiano, poliéster e algodão, que constituem grande parte dos itens de vestuário da moda de massa, podem ser processados na lavadora, com detergente neutro.

“No caso do poliéster, no programa normal e com água fria, já que esse tipo de tecido não aguenta alta temperatura. Já o algodão é um tecido mais resistente, trata-se de uma fibra natural, mas é imprescindível levar em consideração a cor da peça e como o pigmento foi fixado”, observa.

O motivo é a possibilidade de desbotamento da roupa. Por isso, um teste inicial pode ser realizado quando o item for adquirido. “Misture um pouco de água e sabão neutro, pegue um pedaço de algodão ou pano branco e esfregue delicadamente na peça para verificar se solta tinta. Não podemos tratar uma peça de algodão com cores fortes como se trata uma branca”, destaca Marinês.

A regra básica para que as roupas coloridas não desbotem é colocar os tons em grupos e lavá-los separadamente. “As cores escuras (preto, marinho) e cores intermediárias (vermelha, laranja), sempre deixando as peças do lado avesso”, propõem os especialistas da rede de lavanderias Lava e Leva.

Sem encolher

Os processos de centrifugação e secagem também merecem atenção para prolongar o tempo de uso das peças. Ao centrifugar, é importante saber o quanto o tecido aguenta, sem que corra o risco de encolher.

“No caso da lã, por exemplo, o processo deve ser mais baixo. O ideal é optar por um programa de peças delicadas ou, dependendo do caso, pode-se lavar à mão”, detalha a especialista da 5àsec.

Em relação à secadora de roupas, lã, seda e itens com pedrarias ou glitter devem ser poupados, vez que as altas temperaturas podem danificar essas peças.

“Não recomendamos secar roupas no sol, porque se houver algum tipo de resíduo, isso pode manchar a peça. Além disso, quando falamos em secar à sombra, tem que ser em um ambiente com ventilação, para evitar mau cheiro”, diz Marinês Cassiano.

Imagem positiva

Ignorar os aspectos que envolvem os cuidados com as peças ao adquira-las é um erro cometido com frequência. Geralmente, as pessoas se preocupam com a estética, que envolve caimento, corte, cor e textura, e não pensam nas implicações envolvidas em lavar, passar, secar e guardar os itens.

“A falta do hábito de olhar a etiqueta com tais especificações acaba levando à má manutenção das peças, resultando na redução da sua vida útil, quando não a danificando”, lembra a consultora de imagem Sônia Hope.

Ela acrescenta ser necessário refletir sobre a mensagem passada por alguém usando uma peça amarrotada, descosturada, cheia de fios puxados, manchas, ou com linhas penduradas. “Pode sugerir desleixo com a própria imagem”, expõe.

“Pensando que a roupa fornece muitas informações acerca de quem a usa e é uma linguagem não verbal que o outro interpretará assim que fizer o contato visual, é muito importante observar esses cuidados. São eles que preservarão a roupa de uma aparência desgastada”, chama a atenção a especialista.

Arte cuidados com as peças de roupa

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