Alguns amam, outros nem tanto. Fato é que móveis e adornos antigos – garimpados em antiquários ou perpetuados pela família – quase sempre dividem opiniões quando o assunto é a decoração de casa. Para garantir uma mistura harmônica e evitar que o ambiente fique datado, a dica número um é misturar influências, combinando as diferentes épocas com bom senso e boa dose de cuidado. 

Sócia-proprietária do escritório Botti Arquitetura, em Belo Horizonte, a arquiteta Natália Botelho ensina, por exemplo, a acomodar esse tipo de adorno próximo a fundos neutros – branco, preto ou cinza. A ideia é que eles não fiquem “camuflados” nem chamem atenção demais para cores vibrantes. “Móveis antigos de madeira já costumam ser bem expressivos. Se colocados em frente a uma parede vermelha, por exemplo, não ficarão legais”, explica a profissional.

Destaque

Peças bem preservadas, arrematadas do acervo da família, por sua vez, podem e devem ficar em lugar de destaque dentro de casa, seja qual for o ambiente. Ao lado de elementos modernos, inseridos pontualmente, ficam ainda mais charmosas e são melhor valorizadas, ensina a arquiteta. Segundo ela, esse tipo de combinação sempre esteve e estará em alta, não por ser tendência, mas por contar histórias. “É trazer harmonia e equilíbrio, contar e lembrar a história passada e viver o momento presente dentro de casa”, coloca. 

Quem quer apostar nessa estilo pode, inclusive, fazer releituras de objetos garimpados em lojas especializadas ou na casa de parentes, dando novo uso a eles. “Quem quer renovar a casa sem fazer grandes investimentos pode apostar em objetos como gaveteiros em aço, que antes funcionavam como arquivos, transformando-os em racks para TV. Latões de leite também podem virar bancos”, ensina a profissional.

Arquiteta e designer de interiores, Maluh Amorim também destaca a qualidade e o tamanho das peças que serão levadas para decoração residencial. Ela diz que tão importante quanto escolher um objeto pelo valor sentimental que desperta é ter certeza de que ele irá “dialogar” com o contexto. “Bom senso é fundamental para que se tenha uma leitura visual agradável”, resume. 

De acordo com Maluh, uma série de tendências que fizeram sucesso no passado estão de volta, dominando a decoração moderna. Paleta de cores fortes, formas circulares e orgânicas, uso de plantas dentro de casa e de objetos trazidos de viagens são algumas delas. “Vidros com ar mais retrô, madeiras em tons escuros, pisos e paredes em ladrilho hidráulico, mix de metais e materiais e texturas naturais também conseguem resgatar o passado e, ao mesmo tempo, transmitir conforto, acrescenta a arquiteta e designer, que atua em Belo Horizonte.

Além disso:

Muitos confundem as definições de vintage e retrô. Aprenda a diferenciar os estilos e utilizá-los na decoração de casa sem errar:

Vintage: é o que, de fato, veio do passado, ou seja, objetos à venda em lojas especializadas, como antiquários, ou mesmo herdados da família. Geralmente, são peças caras, em função da data de fabricação ou do material usado – madeira nobre, cristal, porcelana, etc. 

Retrô: releitura do passado, faz referência a algo que foi fabricado em outra década ou até mesmo século. Resumindo, é um produto ou peça lançado no momento atual, mas com aparência antiga.

Segundo a arquiteta e designer de interiores Maluh Amorim, de BH, independentemente do estilo de uma decoração é possível misturar tanto objetos vintage quanto retrô com pelo menos mais uma referência. “Moderno e vintage, por exemplo, ou vintage e clássico ou até mesmo minimalista e vintage. Assim, criamos ricos ambientes que contam histórias e memórias das famílias”, esclarece. Pé no freio, no entanto, na mistura exagerada, adverte a profissional. De acordo com ela, mais de dois estilos podem tornar os ambientes pesados e com informação em excesso. “Cria poluição visual”, explica. 

Veja algumas ideias de como utilizar móveis e adornos antigos:

Antiguidades na decoração

DETALHES - Criado estampado e espelhado, gramofone, relógio de pêndulo e cristaleira de madeira provam que qualquer ambiente, desde que bem planejado, pode ficar bonito e bem arrumado com antiguidades; medida certa entre novo e “velho” é um dos truques, ensina a arquiteta e designer de interiores Maluh Amorim

Antiguidades na decoração

CONTRASTES - Modernidade impressa nas paredes e no piso de cimento queimado, presente também nas linhas retas dos móveis aéreos, contrasta com a rusticidade do buffet de madeira maciça (à direita da foto). Projeto assinado pela arquiteta Natália Moreira prova que é possível ter um pouquinho de cada estilo num mesmo ambiente, desde que haja equilíbrio

Antiguidades na decoração
COOL - Apartamento projetado pela arquiteta Natália Botelho ficou ainda mais moderno com arquivo antigo, de ferro, transformado em rack para a TV
Antiguidades na decoração

NOVO USO 1 - Pedal de máquina de costura antiga foi reaproveitado como pé de um charmoso aparador com tampo de madeira de demolição. Invento prova que é possível incrementar uma decoração mais moderna com pequenos toques vintage; segredo está na medida certa

Antiguidades na decoração

NOVO USO 2 - Modificar a utilidade dos objetos antigos é uma forma interessante e criativa de incluí-los na decoração de casa. No projeto acima, cômoda antiga em estilo bombê foi incorporada ao lavabo como um gabinete para a cuba com pegada bem moderna. Conjunto foi arrematado por espelho vintage com moldura rococó

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