Os impactos causados pela pandemia do novo coronavírus nos diferentes estratos da sociedade são inegáveis. Mas um grupo em específico sofre reflexos ainda mais drásticos do momento vivido em todo o mundo. Pesquisa realizada por um grupo de profissionais brasileiros revela a alta vulnerabilidade de transexuais, travestis e bissexuais. Os dados foram divulgados neste domingo (28) - Dia Internacional do Orgulho LGBT+.

Também fazem parte dos mais expostos, vulneráveis à pandemia, pretos, pardos e indígenas. O levantamento, elaborado pelo coletivo #VoteLGBT, considerou o acesso a serviços de saúde, a exposição ao vírus e informações sobre renda e trabalho. O grupo é formado por demógrafos, economistas, jornalistas, antropólogos e profissionais do Direito de diferentes regiões brasileiras. 

O levantamento integra um trabalho que mapeou também as principais dificuldades entre os LGBTs durante o isolamento social. Um dos resultados mostra que o diagnóstico prévio de depressão entre o público é quatro vezes maior em relação ao restante da população. "Se na adolescência as dificuldades de comunicação de identidade são permeadas pela falta de independência financeira, na fase adulta, questões de saúde mental são combinadas com ausência de trabalho e renda. Em idades mais avançadas, a solidão aparece como um dos maiores desafios”, explica Samuel Silva, demógrafo da UFMG que participou do trabalho.

Metodologia

A pesquisa cruzou dados sobre acesso à saúde, trabalho, renda e exposição ao risco de infecção pelo novo coronavírus para medir a vulnerabilidade do grupo. Em conjunto, os fatores ajudam a entender a capacidade de as pessoas se sustentarem mantendo o isolamento social preconizado como medida para evitar a doença.

O índice de Vulnerabilidade de LGBT+ à Covid-19 (VLC) é maior quanto mais próximo de 1. Confira:

Pesquisa índice de vulnerabilidade LGBT ao coronavírus

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Em linhas gerais, os resultados mostram a população LGBT+ em um nível de vulnerabilidade alta, conforme as dimensões de renda e trabalho, exposição ao risco da Covid-19 e saúde. Três grupos, por sua vez, - transexuais, pretos/pardos e indígenas e bissexuais - aparecem na faixa considerada grave. Quando considerado somente o critério de exposição ao risco, todos os grupos apresentam alta vulnerabilidade. 

"A ideia é sintetizar diversas dimensões em um único índice que pode ser comparável entre as várias identidades que interseccionam nossa comunidade”, explica a demógrafa Fernanda De Lena, da Unicamp. 

Campanha

Com o objetivo de minimizar os impactos sofridos pelos grupos em questão, o coletivo #VoteLGBT lançou uma campanha para arrecadar fundos e apoiar instituições que prestam ações de amparo à comunidade LGBT+.  As informações sobre a campanha estão no site benfeitoria.com/lgbt.