Já imaginou morar num container ou numa casa inteirinha de vidro, que explorasse a iluminação natural e, de quebra, ajudasse a poupar dinheiro com a conta de luz? E se seu escritório for erguido em meio às árvores do quintal, camuflado no verde? Podem até ser ideias distantes de uma realidade macro, mas já estão disponíveis e retratam bem a necessidade de modificarmos a forma como habitamos o mundo.

Essas e outras soluções capazes de minimizar os impactos que geramos no meio ambiente serão apresentadas aos belo-horizontinos a partir da próxima terça-feira (3), quando a 25ª edição da CasaCor Minas abre as portas na capital mineira. O evento, este ano abrigado no Palácio das Mangabeiras, tem como tema “Planeta Casa” – uma reflexão sobre como nossa relação com o mundo influencia nosso jeito de morar (e vice-versa).

Além dos ambientes “fixos”, instalados nos cômodos da antiga residência oficial dos governadores de Minas, uma série de espaços móveis foram criados na área externa do palácio. Grande parte deles priorizaram métodos construtivos considerados limpos, ou seja, que produzem pouco ou nenhum resíduo. Caso do Ateliê da Vila, que, nem parece, mas foi erguido, ou melhor, montado em um container marítimo.

25ª CasaCor Minas

ATELIÊ DA VILA - Revestido com madeira, por fora, e tecido, por dentro, container marítimo custou R$ 110 mil, incluindo a decoração. Cadeiras com estofados desencontrados reforçam tendência do Faça Você Mesmo

Zero impacto

Revestido com madeira por fora e tecido por dentro, o ambiente pode circular por diferentes espaços. Rápida e econômica, a estratégia não impacta o meio ambiente. “A ideia foi criar um espaço transportável, que pode sair daqui e ser realocado em qualquer lugar”, detalha o arquiteto Tunico Valladares, que assina o projeto.

Responsáveis pelo Marble Lab, cozinha funcional disposta em um dos jardins da casa, as arquitetas Ana Bahia e Sarah James também colocaram em primeiro plano a preocupação ambiental ao elegerem o steel frame como método de construção. Popular na Europa, o sistema produz 80% menos entulhos em relação à alvenaria – mais comum no Brasil. “Limpa, inteligente e rápida”, resumem.

À frente do Refúgio, o arquiteto Júnior Piacesi propôs uma reflexão a mais ao construir um imóvel baseado no movimento slow living, que prega uma vida mais calma, desacelerada. Projetado sobre estruturas metálicas e envolto por uma floresta, o espaço é revestido por espelhos e vidros, que mimetizam a construção ao multiplicar o verde. A obra, que não gerou resíduos, foi executada em dois meses. 

Esta é a primeira vez que o Palácio das Mangabeiras, construído na década de 1950 a pedido do então governador mineiro Juscelino Kubitschek, é aberto ao público. A CasaCor Minas fica em cartaz em BH até 13 de outubro, A entrada inteira custa R$ 48 e a meia, R$ 30. Os ingressos podem ser comprados na bilheteria do evento ou no site ingressorapido.com.br.

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25ª CasaCor Minas

MINAS WORKPOD - Ambiente projetado pelo arquiteto português José Lourenço é o escritório móvel do governador, que pode ser levado para qualquer lugar. Na mostra, foi “abraçado” pela natureza para reforçar o mote do evento. Brises internos, feitos de mármore, garantem a privacidade, mas possibilitam boa entrada de luz

Além disso

A 25ª edição da CasaCor Minas tem recorde de profissionais envolvidos na concepção e concretização dos ambientes. Mais de 500 pessoas, dentre arquitetos, designers de interiores, paisagistas, pedreiros, pintores, marceneiros, jardineiros e soldadores trabalharam nos 60 espaços, espalhados dentro e fora do Palácio da Liberdade, pelos jardins.

Foram investidos cerca de R$ 10 milhões apenas na construção civil da mostra, que está revitalizando também a área verde assinada por Roberto Burle Marx. A expectativa é a de que a edição comemorativa seja a maior da história. São esperadas aproximadamente 70 mil pessoas ao longo dos 40 dias de evento.

Confira fotos de outros ambientes da mostra: