Ressignificar os resíduos têxteis da moda e discutir o destino dessa indústria no Brasil são as premissas do Trama Afetiva. O projeto, apesar de ser paulista, reúne artistas e criativos de todo o país. Na edição realizada agora em agosto, 13 pessoas, escolhidas dentre quase 300 inscritos, fizeram parte do grupo que reciclou peças defeituosas e garrafas pet para criar um feltro de alta resistência.

De acordo com o idealizador e diretor-criativo do Trama, Jackson Araujo, a ideia é exatamente promover ampla discussão sobre o gap existente entre a realidade do mercado e o ensinado nas escolas de moda, além de dar destinação aos resíduos têxteis da Fundação Hermann Hering. 

“Entendemos que a indústria da moda que queremos, responsável com o meio ambiente e inclusiva, ainda não existe. Temos que perceber que a transformação, na busca por processos que contribuam para a regeneração do planeta por meio do reaproveitamento, parte do princípio de cuidado com as pessoas”, observa.

“Concordamos que esse mundo voltado para o consumo de pessoas, objetos e da experiência, de tudo passar pelo capital, não dá mais. Precisamos enxergar o outro”
Maira Gouveia
Designer de moda

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Desenvolvimento

O material criado pelos participantes foi desenvolvido a partir de roupas que não saíram da fábrica da Hering por terem apresentado defeito e com garrafas pet coletadas por uma cooperativa de catadores de lixo.

“O feltro não esgarça, é superresistente e não desfia. Criamos mobiliário, calçados, acessórios e roupas, vasos, isolamento acústico... Além de ser duplamente reciclável. Na terceira vez, ele virará matéria-prima para a construção de jardins verticais e hortas”, explica Jackson Araujo.

TRAMA AFETIVA 2019

Jackson Araujo (no centro da foto de branco) e a mineira Maira Gouveia (à direita de Jackson) entre os participantes dessa edição do Trama Afetiva

Participação mineira

Quem participou do grupo desta 3ª edição do Trama foi a designer de moda mineira Maira Gouveia. Ela, que ainda não conhecia o projeto, criou em colaboração com os colegas um puff com palavras bordadas em fita.

“Queria fazer algo colaborativo. Por isso, perguntei a cada um dos participantes qual palavra representava aquela experiência para eles. A organização escolheu um público muito heterogêneo, e, como ativista e feminista, foi incrível ver a representatividade no grupo”, relatou.

Veja as imagens dos produtos criados na 3ª edição do Trama Afetiva: