Fatalmente, você já deve ter lido sobre o crescimento das vendas de videogames em 2020 devido à pandemia. Também não devem ser novidade os números bilionários dessa indústria e que os celulares se tornaram as principais plataformas de jogos. Mas o que talvez você não sabia é que as vendas de jogos representaram mais de R$ 200 bilhões em 2020, apenas da Apple App Store e no Google Play. 

Trata-se de um negócio que arrecada tanto quanto vender consoles e os próprios jogos e que poderia render ainda mais. Um dos gargalos é a demanda por adição de cartão de crédito. E muita gente fica ressabiada. Afinal, não faltam exemplos de cartões estourados porque o filho saiu torrando tudo num joguinho.

E, de olho nessa galinha de ovos de ouro, empresas do setor de tecnologia resolveram construir a própria granja. Foi o que fez a Razer. Para quem não sabe, a empresa ficou conhecida por seus acessórios de alta performance, como mouses, teclados, fones e microfones para uso profissional. Agora, ela atua como casa de câmbio de jogos.

Isso mesmo, é o que explica o diretor da Razer Gold para América Lagina, Dennis Ferreira, que aponta que o varejo de conteúdos mobile já existe há quase 20 anos. “O mercado mobile era previsto desde os final dos anos 1990, quando surgiram as primeiras plataformas de Internet móvel, em 1998. No início dos anos 2000 já era possível comprar conteúdos pelo celular, via tecnologia WAP, mas a chegada do iPhone, em 2007, consolidou o modelo”.

“Hoje, games como ‘Free Fire’ e ‘PUGB’ movimentam cifras gigantescas e promovem campeonatos com premiações superiores a US$ 20 milhões. Isso mostra como o mobile se consolidou como um plataforma de jogo muito competitiva, pois é mais acessível que o console e consequentemente gera muito faturamento”, explica.

Bilionário

Para se ter uma ideia, as vendas de games digitais em 2020 geraram receita de US$ 79,5 bilhões, quase meio bilhão de reais. Só os conteúdos mobile corresponderam a US$ 47,9 bilhões. Ou seja, mais da metade do que foi arrecadado pelas demais plataformas que engloba computadores e consoles. 

Acontece que, atualmente, cada plataforma tem seu sistema de vendas. Apple, Google, Microsoft (Xbox), Sony (PlayStation) e Steam (computadores) têm suas barraquinhas virtuais, que exigem cadastro de cartão de crédito ou cartões pré-pagos. O que a Razer fez foi agregar tudo isso numa conta só. 

“O que a gente faz é oferecer créditos que podem ser gastos em games, seja para Android ou iOS. O cliente compra um cartão com os créditos e adiciona na conta, como num cartão pré-pago convencional. Isso dá ao consumidor um controle de quanto ele tem e a facilidade de poder gastar esses créditos numa lista imensa de games de uma única fonte. Tem se mostrado uma solução muito prática e segura para o consumidor”, explica Ferreira.

Botadeira 

De fato, a “casa de câmbio” da Razer permite maior controle financeiro, pois o usuário sabe quanto tem em sua carteira e não gasta em demasia. E, se precisar de mais crédito, deve carregar a conta. Para a empresa, isso se tornou uma boa galinha botadeira. Segundo Ferreira, o Razer Gold corresponde a 30% do faturamento da empresa, que, além dos acessórios gamers (que custam pequenas fortunas), ainda tem uma divisão de software. “Estamos vivendo um bom momento, nossos números de 2021 já são superiores aos do primeiro trimestre de 2020, com alta de 20%”, compara.

Hoje, além dos games disponibilizados nas plataformas de smartphones, que foi a catapulta que arremessou o serviço, o Razer Gold pode ser utilizado também em games da plataforma Steam e em games como “FIFA”. “Estamos finalizando nosso aplicativo, que tornará o processo de compras de créditos mais prático e também estamos em fase de integração com a Sony e Microsoft para utilizar os créditos nas plataformas PlayStation e Xbox”, adianta.

Ou seja, se até outro dia a galinha dos games mobile botava os ovos de ouro em qualquer canto, a Razer concentrou tudo numa granja, que praticamente cobre as principais plataformas de jogos. E, pelo visto, só ela tem a chave desse galinheiro.