Se “todo artista tem de ir aonde o povo está” – como sugerem os mineiros Milton Nascimento e Fernando Brant, em Nos bailes da vida –, as plataformas digitais são o caminho adotado pela sexta edição da Semana da Canção Brasileira para, nestes tempos de distanciamento social, chegar aos corações e mentes do público.

Vão estar nesses palcos on-line, com acesso gratuito, entre os dias 19 e 25 deste mês, compositores e intérpretes de primeira linha, com forte representatividade no cenário da música popular feita hoje no país, como Céu, Liniker, Anelis Assumpção e Zé Ibarra.

 

Onde tudo começou
Artistas de São Luiz do Paraitinga, cidade histórica paulista inspiradora do projeto, que abrigou as edições anteriores, também terão vez e voz no festival. A “plateia” virtual poderá, por exemplo, participar da conversa musical com grupos como Estrambelhados, Despirocadas e Los Cunhados, em lives específicas (Confira programação na arte).

“Pensei em trazer quatro bandas de São Luiz do Paraitinga para o mundo, para todo mundo que quiser assistir. Assim, aumento a visibilidade da cidade, afinal, foi lá que tudo nasceu. É berço de muitos compositores, uma cidade extremamente musical, com tradição de festivais”, explica a curadora da 6ª Semana da Canção Brasileira, a cantora Suzana Salles.

Ela brinca que será a primeira edição digital da Semana e que gostaria que fosse a última. “Porque a praça lotada faz falta, as ruas cheias de gente, ainda que pelas plataformas digitais o evento possa ter um alcance maior. Vai ter um alcance nacional, como nunca teve, mas perde tanto na essência quanto na reflexão sobre a canção popular brasileira. Nada melhor do que rua e as salas de aula”, defende Suzana Salles.
Ainda assim, a cantora fala que gostaria que a Semana da Canção Brasileira chegasse a um ponto parecido com aqueles de quando o público apreciava a festa ao vivo. “Gostaria que esse alcance fosse completo, que chegasse aos corações e mentes das pessoas”.

Reflexão
Também na expectativa de fomentar essa reflexão sobre a música popular, o evento oferecerá três oficinas, que ainda recebem inscrições. Em uma delas, a professora de canto Regina Machado - que leciona canto em música popular na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), interior de São Paulo – buscará mostrar como é possível ensinar canto pela via digital, neste momento de pandemia.

O professor da Universidade Federal de Pernambuco Carlos Sandroni estará à frente de outra oficina, sobre o canto da chamada música raiz. E, por fim, a canção popular deste século 21 será abordada em oficina conduzida pelo compositor, e também professor, Sérgio Molina.

Inéditas
A 6ª Semana da Canção Brasileira inclui ainda um festival de composições inéditas, do qual serão apresentados os três vencedores. “Tivemos muitos inscritos, mas grande parte não cumpria o requisito de ser inédita, não podiam ter sido veiculadas. Passamos uma peneira e sobraram 66. O júri escolheu 12. Cada inscrito precisava apresentar um mínimo de quatro músicas, para termos uma dimensão do trabalho”, conta Suzana Salles.

Em todas as edições, recorda a curadora, eram contemplados os mais variados ritmos musicais, como o sertanejo raiz de Pena Branca e Xavantinho, Rolando Boldrin, Zé Mulato e Cassiano; o samba levado por Lecy Brandão e Fabiana Cozza; a MPB de Lenine, Wanderléa, Chico César, Tom Zé, Zélia Duncan e as Três Meninas do Brasil (Teresa Cristina, Rita Benneditto e Jussara Silveira).

Em síntese e para deleite do público, a 6ª Semana da Canção Brasileira reflete a resistência da boa música produzida no país às adversidades todas que assombram a cultura, a raça humana.