Games independentes explodiram nos últimos 15 anos e hoje são responsáveis por preencher o calendário de lançamentos da indústria. O porém é que os Indie Games ainda vivem numa prateleira inferior às produções AAA e aos grandes selos. Natural, afinal, é como a bandinha da garagem querer ofuscar os Rolling Stones, mesmo que tenha qualidade de sobra.

Desequilíbrios e méritos à parte, fato é que o segmento Indie sempre apresenta boas novidades, como “Super Meat Boy Forever”, e está literalmente malpassado. Para quem não sabe, a franquia do estúdio Team Meat surgiu em 2010 e coloca o jogador na pele de um cubo de carne crua com braços e pernas. 

O game foi publicado inicialmente para Nintendo Switch e PC, em dezembro de 2020. No entanto, acabou de ganhar edição para PS4 e Xbox One, posteriormente, terá versões para PS5 e Xbox Series X.

Apesar de grotesco, o game é simpático, devido aos seus gráficos cartunescos. A gente só se dá conta de que se trata de um pedaço de carne saltitante quando ele pula e fica a poça de sangue no chão ou nas paredes. Mas não é nojento. Pelo contrário, tudo é fofinho.

Clichê

A história de “Super Meat Boy Forever” é simples, clichê, mas dá sentido ao jogo. No primeiro game da série, Meat Boy precisa salvar Bandage Girl, sua namorada (que um cubinho rosa revestido de curativos), do Dr. Fetus. O vilão é um feto que vive num cilindro articulado. No novo game, Fetus retorna e sequestra Nugget, a filha do casal, e a aventura começa novamente.

Jogabilidade

“Super Meat Boy” é um jogo de plataforma 2D que explora diversos elementos de jogabilidade como combinação de movimentos para transpor obstáculos. Trata-se de uma lógica que existe desde “Super Mario Bros”, passando por “Mega Man” e “Sonic”, mas que foi aperfeiçoada em produções recentes como “Crash Bandicoot 4: It’s About Time”, “Cuphead”, entre outras.

O game é acelerado, com fases curtas e progressão dos desafios. Basicamente, o jogador precisa combinar comandos no tempo exato, como pulo, impulso, deslizar e socar. Tudo que você sempre fez nos joguinhos do passado, mas num andamento mais dinâmico.

A cada fase, novos elementos de obstáculos são adicionados, o que exige que o jogador pense rápido e calcule o momento e a posição certa para dar o próximo comando. É o tipo de jogo que cada fase estimula a jogar a próxima e a próxima. No primeiro jogo, de 2010, foram mais de 300 estágios, até o final.

O grande barato é que neste game o jogador pode assumir tanto o controle de Meat Boy, assim como de Bandage Girl, que também participa do resgate de Nugget.

Gráficos

A evolução gráfica entre o título de estreia e “Super Meat Boy Forever” foi expressiva. O primeiro game tinha estilo 8 bits, com pixels propositalmente rudimentares. O estilo fazia parte de uma tendência que ganhou força no final da década de 2000, com produções com estilo retrô, como “Mega Man 9”, de 2008, que era fiel ao design original dos anos 1980.

Já em “Super Meat Boy Forever”, os produtores recorreram ao modelo cartunesco, em alta definição. O game ficou melhor acabado e mais bonito de se ver, principalmente, em televisores grandes.

Palavra final

“Super Meat Boy Forever” é um game divertido, que bebe na inesgotável fonte dos jogos de plataforma 2D. É aquele joguinho acelerado e progressivo que literalmente não deixa o jogador parar de jogar. Uma boa pedida para quem está esperando aquela megaprodução que está empacada devido à pandemia.