Falar do remake de “Resident Evil 2” é uma experiência tão pessoal que, em alguns momentos, é preciso escrever em primeira pessoa. A reedição do capítulo inaugural de “Resident Evil”, assim como os episódios “Zero” e “Revelations”, basicamente deu um polimento nos games antigos para ganhar visual em alta definição. No entanto, com “Resident Evil 2” o tratamento foi diferente. Os produtores refizeram todo o game, com um nível de detalhamento espantoso e fidelidade ao enredo original. No entanto, os designers aplicaram mudanças estruturais para garantir que até quem já tivesse jogado o game de 1998 pudesse ser pego de surpresa. E posso lhe assegurar, mesmo após 20 anos, é um game para se jogar de fraldas.

Depois de testar a demonstração “1-Shot Demo”, a ansiedade para reencontrar com “Resident 2” se tornou uma obsessão. A demo coloca o jogador dentro da delegacia de Raccoon City, na pele de Leon Kennedy. É uma experiência de 30 minutos, bastante fiel ao game final, mas com algumas pequenas modificações para dar dinamismo ao jogo. Depois de meia hora, ficou a vontade de jogar novamente. Mas o game é bloqueado. 

O original
Daí o jeito foi carregar o título original, do primeiro PlayStation, que segue disponível para PS3. A ideia de jogar a edição de 1998 (foto em detalhe) era uma forma de poder comparar o trabalho da nova produção quando ela estivesse disponível. No entanto, também era uma forma de rememorar o game, tentar relembrar alguns caminhos, marcar pontos onde surgem alguns monstros bizarros e tudo mais para facilitar na nova missão. Ledo engano! Apesar de a estrutura ser a mesma, tudo muda no novo game. 

As dependências são totalmente diferentes, assim como a inclusão de elementos vitais para o jogo. Aquele monstro nojento que esperava em uma sala ou corredor, vai te atacar num local totalmente diferente. E isso torna o game tão intenso e desesperador.

Jogabilidade
Além de ser um jogo de Survival Horror, com cenas de ação e suspense, “Resident Evil 2” é um game de exploração intensa. Sua estrutura segue a lógica “Metroidvania”. Não sabe o que isso significa? Vamos explicar. O termo vem da junção dos nomes “Metroid” e “Castlevania”, séries da geração 8 Bits, em que o jogador deveria abrir salas para avançar na trama. E muitas vezes é necessário voltar a lugares já visitados para combinar elementos. Em “RE2” é preciso ir e voltar várias vezes pelos cenários para procurar e combinar itens como chaves, cartões, fusíveis, manivelas e o que mais for necessário para abrir os acessos. 

Sustos e sustos
Uma das criaturas mais populares de “Resident Evil 2” é o Licker (o bicho gosmento no alto da foto). Ele surge logo no começo da campanha do game de 1998. Quem jogou o título no passado sabe exatamente onde ele aparece pela primeira vez e seu potencial destrutivo. No novo game, ele faz sua entrada aterrorizante em outra dependência da delegacia e com o mesmo nível elevado de dificuldade para liquidá-lo. Outros “cadáveres” também pregam sustos. Ninguém nunca está totalmente morto nesse game. 

Mas pior mesmo é o seu colega Mr. X (o grandão de sobretudo). Ele é uma das várias versões do Tyrant – o grande vilão do jogo – e, em um dado momento, ele aparece na campanha. Não bastassem a munição escassa, cenários escuros, zumbis que quebram barricadas, o monstrão fica perambulando pelo jogo. E como é necessário ir e voltar a várias salas e corredores, sempre há o risco de topar com esse sujeito. 

Ou seja, “Resident Evil 2” foi uma viagem no tempo capaz de me deixar tão aterrorizado como em 1998. Só que dessa vez com elevado nível de detalhamento e sadismo!

Disponível para PC, PS4 e Xbox One. A partir de R$ 250.