O mouse teve importante função na indústria de jogos para computadores. Permitiu, por exemplo, que desenvolvedores pudessem explorar novas formas de jogabilidade que iam além das setinhas do teclado. Além dos Adventures e games de Estratégia em Tempo Real (RTS), surgiu o RTT. Trata-se da sigla para Real-Time Tactics, modelo de jogo de raciocínio que exige combinações de ações para cumprir os objetivos. E uma das mais recentes produções do gênero é “Desperados III”, publicado pela THQ Nordic. 

A franquia ressurge depois de 13 anos, desde o último game “Helldorado”. A Série surgiu em 2001 e seguia o modelo de jogabilidade da série “Commandos”. Agora o game ganhou edições para PC, Mac e plataformas que contam com o suporte do mouse, como PS4 e Xbox One, com valores que variam de R$ 175 a R$ 400.

Jogar um RTT com o joystick não é problema. Aliás, é até mais prático. Os RTTs de PC exigem que o personagem se desloque clique por clique, num cenário com visão isométrica. No console, basta conduzi-lo com uso dos direcionais analógicos. É muito parecido com um game de ação. 

A diferença é que um dos analógicos funciona como controle de câmera, que era a função do mouse nos games para computadores. Dessa forma, o game permite girar o cenário, assim como abrir ou fechar zoom. Mas é preciso ser franco: o game não tem a mesma graça que tinha há 20 anos.

O jogo

“Desperados III” conta a história do caçador de recompensas John Cooper, que varre o Oeste em busca de um perigoso bandido. O tutorial inclusive mostra o protagonista ainda jovem, herdando as habilidades de seu pai. O game é prelúdio do título de 2001, e a trama começa com um assalto a um trem. O jogador precisa defender a composição e dar cabo aos bandidos. 

A partir daí a trama se desenrola. Mas não vamos estragar história. Mesmo que o enredo praticamente seja desnecessário, pois o que envolve o jogador é vencer cada desafio que surgem quando o jogador avança.

Sorrateiro

“Desperados III” não é um game tiroteio frenético. Cooper tem seus revólveres, mas a munição é escassa. Então, não tente bancar o pistoleiro. Nesse game, é preciso ser furtivo. Distrair os inimigos, atacar a distância, esconder corpos. Se fizer alarde, mais inimigos vão surgir no mapa. E quando os recursos se esgotam, vencer um oponente pode ser muito complicado.

Durante a trama, o jogador adiciona novos personagens, que passam a cavalgar com Cooper. Cada um deles possui habilidades diferentes. E o grande segredo do jogo é combinar essas habilidades com os desafios que vão se apresentando.

No entanto, é preciso ficar atento, pois cada personagem tem insumos limitados, como curativos, munição, explosivos dentre outros recursos. Uma dica é dar uma boa olhada no mapa para ter uma noção do que será necessário em cada ponto. 

Visual

O game tem gráficos detalhados, como é comum nos RTTs. Ele parece uma maquete com seus diminutos personagens. Mas, mesmo visto a distância, o game oferece bons efeitos de luz e sombras, que tornam o jogo mais interessante.

Palavra final

Jogar “Desperados III” no PS4 me fez questionar se os RTT já perderam sua graça. O game soa bobo. E o original não era assim. Outros games com pegada de estratégia como “XCOM” e “How To Survive” também recorrem ao estilo isométrico, mas conseguem prender o jogador.

Essa percepção me fez instalar novamente “Commandos: Behind The Enemy Lines” no PC. Foi ele que mostrou o caminho para os produtores de “Desperados”. E a constatação é a seguinte: cada missão se resume a um mapa com seus desafios. No PC, a cadência do jogo é mais lenta. Você olha o mapa, reclina e pensa. 

Com o joystick na mão, o jogador tende a continuar se movimentando. Ele está condicionado para isso. E essa sensação de ter que ficar parado e agir de forma sorrateira é o que tira a graça do jogo no console.

“Desperados III” não é um jogo ruim, mas não casa bem no console. Além disso, é caro. Mas quem quiser conhecer a franquia, recomendo procurar pelo primeiro episódio para PC ou Mac. Ele é oferecido por R$ 8 na Steam. O combo com os dois primeiros jogos saem por R$ 20. Lá, a lei do mouse funciona.