Na próxima sexta-feira chega ao mercado “The Last of Us - Part II”, produção exclusiva para PS4, apontada como um dos grandes games para 2020. No entanto, desde a semana passada, boa parte da imprensa teve acesso ao game, após assinar um termo de embargo extremamente severo, que nos permite publicar algumas informações sobre o jogo. Então, a seguir falaremos sobre o game, pisando em ovos, para não estragar a experiência de quem já fez sua reserva e não aguenta mais esperar.

O game, como todo o mundo já sabe se passa alguns anos após o primeiro episódio em que Joel e Ellie atravessam os Estados Unidos para que os anticorpos da menina pudessem servir de matriz para uma vacina contra o fungo, que provocou mutação em grande parte da humanidade. Nesse game, Ellie assume o protagonismo. 

E como o próprio diretor do game, Neil Druckman, já antecipou, a jovem chegou aos 19 anos, e o game aborda a maturidade e a imaturidade da idade. Aliás, o chefe da Naughty Dog tem falado muito nos últimos dias. Recentemente ele rechaçou questionamentos de que o game teria exagerado na diversidade de gênero, para agradar o público LGBT.

Esta semana, ele contou sobre o esforço para convencer o Pearl Jam a permitir a inclusão da música “Future Days”, do álbum “Lightning Bolt”, na história. Segundo ele, a música é uma espécie de amálgama na relação entre Ellie e Joel. Detalhe, na trama a civilização desmorona em setembro de 2013, cerca de um mês antes do lançamento do disco, que aconteceu em 14 de outubro daquele ano, no mundo que vivemos. 

Receita

Mas todos esses elementos têm um fator forte na produção. O ingrediente crucial no game de 2013 se repete em 2020. “The Last of Us - Part II” se apega no fator emocional mais uma vez. Solidão, medo e companheirismo são insumos que dão ao jogo uma carga dramática forte e elevam o nível da imersão do jogador. 

No primeiro game, como não se sensibilizar com a decisão de Joel em invadir o laboratório, assim como na passagem em que Ellie assume o gameplay para buscar suprimentos para cuidar de seu protetor? O mesmo se pode dizer do DLC, “Left Behind”, que mais uma vez repito que é uma das coisas mais sensíveis já feitas para um game. Tudo isso está presente no game. Diálogos extensos, bilhetes, histórias avulsas encontradas no caminho. Tudo isso amplifica o vínculo que o jogador desenvolve com a trama. 

Ferramentas

Sim, o amigo irá se afeiçoar à história, aos horrores, dúvidas e alívios de Ellie, como aconteceu há sete anos. Mas não podemos ir além disso, pelo menos até à próxima semana. Assim, vamos focar nas questões técnicas de “The Last of Us - Part II”.

O game chega totalmente em português. Menus, diálogos, dublagem, textos. Tudo devidamente traduzido. E quem estiver com preguiça de ler, pode ativar um recurso de narração que lê tudo que está no jogo. Bilhetes, menus e instruções são narrados pelo game. Pessoalmente, acho chato, parece a voz do Google Maps te lembrando que você virou na esquina errada. 

Por outro lado, a dublagem é muito boa. Pouca gente sabe, mas dublar games sempre é um grande desafio. Ao contrário de filmes, em que o dublador consegue empostar a voz de acordo com a expressão dos atores, nos games os dubladores geralmente recebem os textos e as trilhas gravadas em inglês, e buscam dar a carga dramática de acordo com a narração original. 

Visual

Visualmente, o game é muito bem acabado e com cenários muito bem detalhados. Pegadas e manchas de sangue alteram a paisagem, assim como o nível elevado das texturas. Assim como no título original, sempre pode topar com um console PS3 “fat” e algumas embalagens de games da Naughty Dog, como “Uncharted 2” e “Jak and Daxter”. Aliás, a produtora adora esses momentos de metalinguagem em seus games. Em “Uncharted 4: A Thief’s End”, o jogador podia jogar “Crash Bandicoot” no PSOne de Nathan Drake.

Ele também contará com modo foto. A Sony vem explorando esse recurso em quase todos seus exclusivos, como “Spider-Man”, “God of War” e “Days Gone”. Ttrata-se de uma ferramenta de publicidade gratuita fantástica, pois o jogador compartilha sua imagem exclusiva nas redes e a Sony agradece pela exposição. 

Jogabilidade

“The Last of Us - Part II” é um game linear, o jogador pode explorar os cenários de cada momento do jogo, mas em tese a trama vai discorrendo como um filme. Não dá para ficar perambulando como Deacon com sua motoca pelo Oregon. O jogador vai trilhando um caminho determinado, sem muitas opções. Inclusive, ainda não se pode dizer em que ponto dos EUA a história acontece. No entanto, há momentos em que o mapa se expande, mas justamente para gerar confusão no jogador.

Assim como no game original, o usuário tem pouca munição e as armas brancas têm baixa durabilidade. No entanto, o game oferece bancadas de melhorias, em que é possível aumentar os atributos das armas de fogo. Para isso é preciso coletar peças pelos cenários. Vasculhar tudo é fundamental para fazer os upgrades.

Há também pílulas que ajudam Ellie a melhorar seu condicionamento físico e demais habilidades. E claro, não faltam trapos e frascos de álcool para confeccionar curativos e coquetéis molotovs. A movimentação é bem intuitiva, com L1 para correr, L2 para fazer mira, quadrado para ataque corporal, R2 para disparos e as setinhas para ações rápidas.

Virtuose 

Um recurso interessante é que Ellie toca violão. O instrumento tem um peso importante na construção da trama. Mas o mais legal é que o jogador precisa dedilhar as notas usando o track pad do Dualshock 4, que funciona como a mão direita, e o direcional analógico, que se encarrega de ser a mão esquerda posicionando os dedos para marcar as posições.

Bom, o que posso afirmar categoricamente é que “The Last of Us - Part II” precisa ser jogado. Trata-se de uma game que irá repetir o sucesso do game original.

Minha recomendação é que até a próxima sexta-feira, o amigo jogue novamente o título de 2013, assim como a expansão “Left Behind”. Vale a pena fazer a maratona para entrar de cabeça no novo episódio com as lembranças vivas. 

Semana que vem eu conto o resto, pois ainda há muito a ser dito sobre a saga de Ellie.