Lembro do meu primeiro celular dotado de câmera. Era um Samsung do tipo flip (que se abre). Era bonitinho, tinha uma telinha que exibia relógio, ligações e SMS. Tinha até internet e joguinhos. Ele fazia “incríveis” imagens em VGA. Com um pouco de imaginação dava para entender a cena. Agora tudo mudou. O Galaxy S20 Ultra, da mesma Samsung, também fotografa e filma como o velho soldado abatido. A diferença é que faz isso em resolução até 8K e tem uma lente de até 100x de zoom.

Ou seja, ele permite registrar imagens estáticas e em movimento com qualidade impressionante. Quando foi apresentado em fevereiro deste ano, a equipe que registrou o evento, na Califórnia, capturou todas as imagens usando este telefone. Agora chegou a vez de conferir na prática se ele entrega tudo isso que promete.

E ele entrega. O aparelho conta com quatro lentes que fazem o papel de grande angular, teleobjetiva, macro e também se combinam para desfocar o fundo, tanto na fotografia como em vídeo. Uma de suas lentes é capaz de fotografar com até 108 MP de resolução e também conta com modo para captura em movimento, capaz de acompanhar o alvo em deslocamento.

Mas o grande barato desse telefone que é possível combinar o zoom ótico de 4x com os recursos de captura e poder fechar ângulos a distância, sem perda de qualidade. Ele ainda permite ajustar manualmente o foco, não apenas para fotografar, mas também para filmar. A estabilização ótica permite fazer registros sem trepidações, mesmo sem auxílio de estabilizadores ou tripé.

Em suma, tudo isso quer dizer que o S20 Ultra é uma opção muito interessante para quem busca qualidade de imagem, sem precisar investir uma fortuna numa câmera DSLR e num kit de lentes que podem custar o mesmo que um carro zero. E não estamos falando de modelos populares, mas opções acima dos R$ 70 mil. Ou até mesmo uma boa opção de bolso para profissionais que nem sempre estão com seu equipamento em mãos e, mesmo assim, conseguem boa qualidade de registro.

Edição

Se o Galaxy S20 Ultra registra tudo ao seu redor com a mais alta qualidade possível, ele também tem poder de processamento para editar o material sem a necessidade de transferir para um computador. 

Seu processador de oito núcleos com frequências de 1.9 a 2.4 GHz garantem rapidez na execução de tarefas. Com 12GB de RAM, esse telefone tem memória suficiente para dar conta da edição, sem abrir mão das demais tarefas de qualquer celular. 

Para o teste utilizamos o recomendado Adobe Rush, que permite adicionar várias camadas de áudio e vídeo, o que garante sobreposições, adição de lettering, legendas, fusão de imagens e sons. 

Mas vale lembrar que a Adobe ainda não atualizou o Rush para o S20 Ultra. Para o teste, foi necessário importar o conteúdo do S20 padrão (que testamos recentemente) para o Ultra. No entanto, na Google Play há uma infinidade de editores que permitem editar com boa qualidade.

Outro senão é que o app exporta no máximo em resolução Full HD com taxa de 30 quadros por segundo. Para postar em redes sociais é mais que suficiente, mas para um trabalho que exija mais refinamento é preciso levar o material bruto para um PC. 

Com duas versões, o Ultra pode vir equipado com armazenamento de 128GB ou 512GB. No entanto, aceita cartões de memória de até 1TB. A versão testada conta com a opção mais baixa de armazenamento, mas que resolve bem para armazenar as capturas e os conteúdos editados. No entanto, vale lembrar que um minuto de gravação em 8k pode ocupar até 600MB. É preciso ficar atento para não estourar a capacidade e perder os registros.

Já a bateria de 5000 mAh garante autonomia de sobra. Para edição, o melhor é desabilitar as conexões para salvar carga. Outra opção é ativar o modo de economia, mas ele limita o desempenho do processador em 70%.

Palavra Final

O Galaxy S20 Ultra é o modelo mais poderoso da marca sul-coreana no Brasil. Hoje ele só divide o topo da pirâmide com o Note S20, que acabou de ser apresentado e ainda não tem data de lançamento por aqui. 

Dizer que ele é capaz de substituir todo aparato necessário para produções profissionais seria uma leviandade, mas fato é que esse telefone entrega um hardware muito robusto até mesmo para profissionais exigentes. O melhor de tudo é que cabe tudo no bolso. Um bolso largo diga-se passagem, tanto literalmente, como no sentido figurado, pois é um telefone com preços que variam R$ 8 mil a R$ 8.500.

Certamente dá para fazer um filme com qualidade bem melhor que “Han Solo: Uma História Star Wars”, mesmo que seja com bonequinhos.