O mercado de games é um caldeirão inesgotável de negócios. E um deles é a pré-venda. Nessa modalidade, o consumidor adquire o título meses (às vezes anos) antes de sua publicação. E assim que o game é lançado ele já está disponível para jogar. Para quem é ávido por novidades pode ser uma boa opção, pois quando o game for publicado ele já estará em ponto de bala. Além disso, nessa modalidade há alguns benefícios, como itens exclusivos que podem ser usados durante o game. Mas será que realmente vale a pena comprar um game no escuro?

Há quem defenda, assim como há quem repudie, mas fato é que o assunto ganhou novas proporções nas últimas semanas, logo após a publicação de “Death Stranding”, aguardado game do produtor japonês Hideo Kojima, que por hora é exclusivo para PS4. 

Visionário, o game coloca o jogador num ambiente pós-apocalíptico, em que sua missão é reconectar a civilização por meio de entregas. A trilha é fantástica, assim como os gráficos e a solidão do jogador. Trata-se de um game disruptivo, que rompe com modelos convencionais. 

Ele foge do que era esperado por grande parte do público e foi aí que o clima esquentou. O game dividiu opiniões entre aqueles que adoraram a abordagem e outros que odiaram o game e se arrependeram de comprar o jogo durante o período de pré-venda.

No Metacritic, indexador de notas de filmes, games e outros produtos da indústria cultural, “Death Stranding” teve 3 mil avaliações positivas e outras 1,5 mil negativas por parte dos jogadores. O mesmo se repetiu nas redes sociais, gerando embates calorosos.

Outros fracassos
Mas “Death Stranding” não está sozinho. Em 2016, “No Man Sky” tinha uma proposta tão inovadora quanto o jogo de Kojima. Nele, o jogador se aventurava a descobrir novos mundos e a interagir com outros jogadores numa exploração do universo. Mas as coisas não saíram como esperado e muita gente que reservou o jogo se arrependeu da compra. 

O fracasso foi tão grande que a Steam, serviço de venda de games para PC, e a Sony abriram campanhas de reembolso para os clientes que se sentiram insatisfeitos com o game. 

O povo fala
Fomos até as redes e questionamos se vale ou não comprar um game em pré-venda. A maioria se mostrou contrária, com apontamentos que realmente fazem sentido, como, por exemplo, excesso de erros na data de lançamento, que são uma grande dor de cabeça, assim como o fato de o jogo ser uma decepção geral.

Por outro lado, há quem recomende quando se trata de uma série que o jogador é fã. “Eu comprei ‘Borderlands 3’ com passe de temporada na pré-venda. Eu acabei me arrependendo no sentido de não curtir o jogo, eu era muito fã de ‘Borderlands 2’. E ainda estou jogando o segundo e já desinstalei o novo. Mas não me arrependo no sentido de que eu iria acabar comprando no futuro, já que eu sou fã. Na pré- venda acabei pagando menos”, comentou o gamer, Ricardo Machado.

Ewerton Alves, que também é jogador regular, é mais um que não adere às vendas antecipadas devido ao excesso de erros dos games, quando lançados. “Hoje em dia, o jogo sair sem bugs e completo no lançamento é algo pra se elogiar. Você paga por uma versão incompleta e depois de pronto, ainda querem mais grana 

Outros jogadores reclamaram do fato de muitos games serem adiados diversas vezes, inclusive perto da data de lançamento, como aconteceu diversas vezes com “Uncharted 4: A Thief’s End”, que deveria estrear em 2015, mas só foi publicado em maio de 2016.