Para além de uma questão sociológica, ligada apenas ao trabalho, cuidar da higiene, vestir-se bem e organizar-se para atuar em home office tem impacto na saúde mental e na autoestima, segundo a psicóloga Debora Genezini.

A especialista revela existirem fartos estudos que apontam excelentes resultados na melhora clínica do humor e de quadros depressivos em pacientes hospitalizados incentivados a cuidar do cabelo, do corpo e da aparência de modo geral. Esses cuidados ajudam a liberar alguns hormônios do bem-estar, como a serotonina e a endorfina. “O visual bem cuidado afeta muito o humor e o emocional, afeta a autoestima. É preciso que a pessoa se veja e goste do que vê, caso contrário, ela cria um ciclo de desânimo ou de descuido que pode gerar tristeza e até depressão”.

Genezini também explica que a melhor roupa é aquela com a qual a pessoa se sinta bem. Muitas vezes o vestir está relacionado com a idade, a maturidade e até mesmo é um ato utilizado como uma forma de protesto. Entretanto, ela ressalta que estar de pijama no home office, ao mesmo tempo em que pode ser uma escolha, pode também significar uma visão ofuscada, distorcida da pessoa sobre si mesma. Ainda, segundo Ganezini, essa visão nem sempre tem a ver com o que o outro enxerga, mas com o mundo interno de cada um. “Alma tem origem na palavra latina “anima”, que é o sopro da vida, o fio da existência. Quando estamos desanimados até para com o vestuário e os autocuidados o tempo todo, isso pode ser um sinal de que nossa alma está desabastecida e a roupa pode animar a anima fazendo com que a pessoa se sinta mais segura, mais pronta para enfrentar os desafios diários”.

Beatriz Quintão Duarte Marques é analista de mídias sociais de uma grande empresa localizada em Belo Horizonte e está em home office desde o início do ano passado. Conta que antes da pandemia se arrumava muito para ir para o trabalho, dando um destaque especial para a maquiagem, mas com o isolamento social e o trabalho remoto, se descuidou. “Eu adoro uma maquiagem diferente, delineador colorido, e quando passei a ficar apenas em casa, isso se perdeu um pouco. Trabalhava com as roupas de ficar em casa e passei a não me reconhecer”.

A mudança de atitude de Beatriz veio mesmo no meio do ano, quando viu as maquiagens de que tanto gosta começarem a perder prazo de validade. “Quando vi meu rímel endurecendo, minhas maquiagens se perdendo e que só voltaria ao trabalho presencial em 2022, dei um basta e voltei a me cuidar e não trabalhar mais de pijamas ou roupas de ficar em casa”.

O retorno de Beatriz aos velhos hábitos de autocuidado aconteceu em junho e, desde então, a analista se sente mais produtiva e motivada. “Não tinha reparado, e só quando passei a me arrumar novamente é que eu vi como minha produtividade tinha caído. Fiquei muito feliz de me arrumar e de me mostrar bem e disposta para as outras pessoas. Tenho tido até notícias de que estou servindo de inspiração para motivar outras pessoas também, isso gera uma corrente de bem-estar, de disposição, mesmo ainda trabalhando dentro de casa”, diz. 

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