O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, disse que recebeu com preocupação a notícia de que as pastas da Fazenda, do Planejamento e da Indústria serão unificadas em um superministério da Economia. Para ele, a medida anunciada na última terça-feira (30) pelo futuro ministro da área econômica, Paulo Guedes, é fruto da falta de diálogo por parte do governo federal e pode limitar o desenvolvimento do setor industrial. 

Durante entrevista concedida nesta quinta-feira (1º) no salão de exposição do Minas Trend, Roscoe afirmou que a decisão pode causar conflitos, devido à incompatibilidade entre as demandas dos ministérios que foram unificados. “Temos que ter um local de interlocução. As pastas não existem à toa, elas têm uma função, e o setor produtivo não pode estar subordinado apenas ao setor que arrecada”, disse ele.

Além disso, Roscoe destacou a dificuldade de um único ministro gerir atividades tão distintas. “Não acho que um ministro só tenha tempo de olhar tudo, então a preocupação é a de que não haja o olhar que o setor produtivo precisa. Se houver, perfeito, mas e se não houver? E mesmo que o ministro atual consiga. E o próximo que o suceder? Com esse tipo de mudança estrutural, não estamos falando de uma pessoa, estamos falando de uma estruturação de país”, afirmou. 

Sobre a junção dos Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, Roscoe foi mais ponderado, mas também considerou uma iniciativa equivocada. “Não posso criticar tanto, porque não sei se vai funcionar ou não. Eu tenho minhas dúvidas e preocupações e entendo que faria mais sentido juntar Agricultura, Indústria, Comércio, Ciência e Tecnologia em uma espécie de Ministério da Produção”, disse.