A falta de atendimento nas agências bancárias, que há 29 dias estão parcialmente fechadas por causa da greve da categoria, vem causando dor de cabeça para muitos clientes. Boletos em atrasos, limites para saques em caixas eletrônicos e falta de acesso a pagamentos são apenas alguns dos transtornos enfrentados.

A vendedora Eliana Aparecida de Souza, de 45 anos, por exemplo, tem passado aperto com a mãe aposentada. Isso porque a senha da idosa foi bloqueada e, para destravá-la, é necessário fazer a revalidação. Contudo, o serviço só pode ser feito presencialmente na boca do caixa. "Enquanto isso as contas só vão atrasando", lamentou a filha. Já o pedreiro Valdir Francisco Lima, de 38 anos, reclamou que tem passado dificuldades por causa da greve. Ele perdeu o cartão que dá acesso aos caixas eletrônicos e a tentativa de sacar o dinheiro na agência foi frustrada. "Vou embora sem pegar o dinheiro e com as contas atrasadas", lamentou o homem, que não sabia que podia solicitar o cartão pelo telefone. 
 

 

Flávio TavaressssEliana de Souza não conseguiu revalidar a senha do cartão da mãe e está sem acesso à conta

 

Impacto indireto
Desde o início do movimento grevista, o empresário Matheus Daniel, do restaurante Família Daniel, sofre queda nas vendas. "Além de receber muitos bancários no restaurante, entregamos marmitex no Banco do Brasil. De 60 marmitex por dia, a demanda caiu para 15", explica Matheus Daniel, do restaurante Família Daniel.

E os problemas estão longe de chegar ao fim. Os bancários, que pedem reajuste salarial de 14,78%, dos quais 5% são de aumento real, rejeitaram os 7% oferecidos pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), que propôs também um abono de R$ 3,5 mil, com aumento real de 0,5% para  017.  Atualmente, os bancários têm um piso de R$ 1.976,10 (R$ 2.669,45 para os funcionários que trabalham no caixa ou tesouraria).

Além do reajuste salarial, a pauta de reivindicações dos grevistas inclui Participação nos Lucros e Resultados de três salários, mais R$ 8.297,61; piso salarial de R$ 3.940,24; vales alimentação e refeição, e auxílio-creche/babá no valor do salário mínimo nacional (R$ 880).

Em Belo Horizonte e Região Metropolitana, 533 agências estão fechadas, o que representa 71% do total, conforme a presidente do Sindicato dos Bancários de BH e Região, Eliana Brasil.

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O que diz a lei?
O coordenador do Procon da Assembleia de Minas, Marcelo Barbosa, explicou que a greve dos bancários não é justificativa para o não pagamento de contas e também não abona multas por possíveis atrasos. Isso porque, explicou o especialista, os bancos oferecem alternativas, como caixas eletrônicos, internet banking e atendimento por telefone. 

Porém, a Justiça está a favor do cliente caso o serviço seja mal prestado e cause prejuízo. "Se o banco não dá alternativas ou elas não funcionam, ai sim o consumidor tem direito a indenização. Mas neste caso ele tem que provar o dano perante o juiz".