Relatório elaborado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon MG) aponta que o cenário econômico, com inflação e Selic baixas e melhora dos empregos, é favorável à compra de imóveis, cujos preços devem retomar uma curva de alta no curto prazo, segundo a entidade. Especialistas do setor, porém, avisam que é melhor o consumidor ter cautela. 

A retração da oferta de apartamentos novos, estimada para o curto prazo devido à queda nos lançamentos das unidades, também influencia na decisão, conforme as construtoras.

De acordo com o diretor da Área Imobiliária Ricardo Catão, os edifícios têm prazo médio de dois anos para ficarem prontos. Como há menos lançamentos no mercado e o déficit habitacional é grande no país, a expectativa é a de que a demanda fique maior do que a oferta, encarecendo as unidades.

BH e Nova Lima já atravessam movimento de alta nos preços. Considerando o valor médio de unidades residenciais nestas cidades, conforme o Censo Imobiliário do Sinduscon MG, observa-se que, nos 12 meses encerrados em agosto de 2019, o preço do metro quadrado variou 6,99%, saltando de R$ 7.907,00/m² (agosto/18) para R$ 8.460,00/m² (agosto/19).

No mesmo período, o IPCA teve alta 3,43%. Ao confrontar os dados, é possível afirmar que houve valorização média real de 3,44% no preço de apartamentos novos.

Além disso, ele afirma que a inflação baixa, estimada em 3,28% para 2019, conforme o relatório Focus, e a queda da Selic para 5,5% (a menor da história), compensam a redução na renda. “A parcela do imóvel fica menor, é como se a renda aumentasse”, pondera.

A leve retomada nos empregos também dá gás à construção civil, diz Catão. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado ontem pelo Ministério do Trabalho, entre janeiro e setembro foram abertas 111,5 mil vagas em Minas Gerais, elevação de 2,79% na geração de empregos. 

Alerta
Embora o setor da construção civil garanta que o momento é ideal para a compra do imóvel, o presidente da Associação dos Moradores e Mutuários de Minas Gerais (AMMMG), Sílvio Saldanha, afirma que é necessário cuidado na hora de fechar um contrato de financiamento de imóvel. Afinal, além de o valor ser alto, o prazo é extenso, podendo chegar a 35 anos de pagamento.

“Consumidor tem que saber se a parcela caberá no orçamento. Afinal, se não pagar, perderá o bem. O banco é extremamente rigoroso com relação à adimplência”, alerta.