Estudo revela que 24% dos caminhoneiros brasileiros fazem uso de medicamentos controlados, sendo desse total 57,7% para hipertensão. Outros 12,1% confessaram ter experimentado, ao longo da carreira, drogas ou substâncias ilícitas. No total, 45,6% já receberam oferta de algum tipo de entorpecente.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (18) pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), que traçou o perfil dos profissionais. Para chegar aos números, 1.066 caminhoneiros autônomos e empregados de frota foram ouvidos, entre 4 e 14 de novembro de 2015.

Para o presidente da CNT, Clésio Andrade, a pesquisa reforça que ações têm que ser desenvolvidas para garantir a saúde dos caminhoneiros que rodam no país. "Com a realização dessa pesquisa, há um reforço na recomendação do aprimoramento nas campanhas de combate ao uso de drogas, direção segura, redução de acidentes e treinamento profissional", declarou.

Crise

Dos profissionais entrevistados, 86,8% afirmaram que houve queda na demanda em 2015 se comparado com o ano anterior. Para 74,1%, o recuo é devido à crise econômica. Questionados sobre os principais problemas enfrentados na profissão, 46,4% citam o custo do combustível e 40,1% relatam que o valor do frete não cobre as despesas.

Outros pontos relatados foram perigo e insegurança (60,6%), desgaste profissional (34,9%) e o comprometimento do convívio familiar (32,1%). Dos pontos positivos da carreira, 47% disseram a oportunidade de conhecer novas cidades.

A pesquisa mostra, ainda, que o caminhoneiro brasileiro tem em média 18 anos de profissão e mais de 44 anos de idade. Cada profissional roda cerca de 10 mil km por mês, trabalhando aproximadamente 11,3 horas por dia. A média de salário é de R$ 3,9 mil e a frota tem em torno de 13,9 anos.

Andrade considera a frota velha e defende a implantação do plano de renovação, com incentivo a financiamentos e reciclagem. "A proposta está no Plano CNT de Recuperação Econômica, entregue à presidente Dilma Rousseff no final de 2015."

Endividamento

A pesquisa mostrou, também, que 44,8% dos caminhoneiros estão endividados. Entre os autônomos, esse número sobe para 52,5%. No grupo de empregados de frota, o porcentual é menor, 28,2%.

O valor médio dessas contas entre os autônomos também é maior, está em R$ 31,3 mil; entre os empregados de frota, R$ 14,2 mil. Segundo o estudo, o maior problema é hoje o preço do combustível. Na média, os entrevistados estão no ramo há 18 anos.