O governo de Minas está no caminho certo, ao incentivar o desenvolvimento no Estado da indústria tecnológica e, sobretudo, da aeronáutica. Para tanto, conta com o apoio de universidades, do Senai e da Federação das Indústrias, cujo presidente, Olavo Machado, é um entusiasta dessa iniciativa e se empenha em levá-la adiante com a ajuda do novo ministro da Ciência e Tecnologia, Clélio Campolina Diniz.

Mineiro de Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e formado em engenharia mecânica pela PUC Minas, Clélio era reitor da UFMG quando foi escolhido, no mês passado, pela presidente Dilma Rousseff, para compor seu novo ministério. Anteriormente, ele já havia presidido o Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BHTec) e a Câmara de Ciências Sociais Aplicadas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

Há motivos, portanto, para esperar do novo ministro uma atenção especial com Minas. Na última sexta-feira, foi acompanhado por Olavo Machado na visita que fez ao Centro de Engenharia e Tecnologia da Embraer, inaugurado em outubro de 2012 em uma área cedida pelo Centro Tecnológico de Minas Gerais (Cetec), em Belo Horizonte.

A Fapemig deu apoio financeiro, no valor de R$ 38 milhões, a esse Centro de Engenharia e Tecnologia. Segundo nota à imprensa, ele participa do desenvolvimento de produtos, em conjunto com a matriz da Embraer, localizada em São José dos Campos, “desde as definições iniciais e a certificação aeronáutica até a fase de suporte à operação seriada, dentre outras atividades”.

Entre esses produtos, se encontram o futuro avião de transporte militar KC-390, a nova geração da família de jatos comerciais E-Jets E-2 e os jatos executivos Legacy 500/450. Todos eles em condições de competir no mercado mundial, onde a Embraer é uma das líderes.

Há pouco mais de um ano, Olavo Machado anunciou recursos de R$ 260 milhões do Programa de Apoio à Competitividade da Indústria Brasileira para que o Cetec/Senai instalasse seis institutos de tecnologia nas áreas de alimentos e bebidas, metal-mecânica, mineração, química, tecnologia automotiva e meio ambiente.

O esforço é para que as empresas sediadas em Minas disponham aqui de centros de tecnologia e pesquisa. E para que não se repita o exemplo da Usiminas, cujo centro de pesquisa se localiza no Rio de Janeiro.

Na última quarta-feira, o governo de Minas assinou, na sede da Fiemg, memorando de entendimento com a Universidade Federal do Triângulo Mineiro e a empresa francesa Price Induction para a construção do Parque Tecnológico de Uberaba, que deverá abrigar o Centro Nacional de Turbinas a Gás.

É mais um passo para que Minas, terra natal do inventor do avião mais moderno do início do século passado – o 14 BIS, de Santos Dumont – se transforme em um respeitável polo aeroespacial.