A transformação digital das empresas já é anunciada há mais duas décadas. A velocidade com a qual os meios digitais mudaram a forma das pessoas e empresas se relacionarem se expande em progressão geométrica, ano após ano. Fato é que as barreiras sociais impostas pelo novo coronavirus trouxeram a evidente digitalização, para aqueles que ainda resistiam, como forma viável de interação, presença de marca e vendas. Certamente, esse é um dos pontos mais claros, mas os modelos de gestão precisam evoluir por completo, e isso também não é novidade.

Há alguns anos a maior gestora de ativos no mundo, a americana BlackRock, com US$ 7,4 trilhões em escala global, já vem se posicionado junto aos CEOs das empresas que investe e também aos seus clientes investidores trazendo conceitos contemporâneos de gestão que incluem em suas análises de risco as mudanças climáticas, por exemplo. Em sua carta aos clientes de 2020, ela destaca “Como as opções de investimento sustentável têm o potencial de oferecer melhores resultados aos clientes, estamos tornando a sustentabilidade parte integrante da forma como a BlackRock gerencia riscos, constrói portfólios, desenvolve produtos e se envolve com as empresas. Acreditamos que a sustentabilidade deve ser o nosso novo padrão de investimento.”

Modelos de gestão também são avanços tecnológicos. Suas novas práticas trazem conceitos como capitalismo consciente, economia circular, sustentabilidade em toda a cadeia de suprimentos, por exemplo, como parte da estratégia principal dos negócios. Muito comum no antigo paradigma, a responsabilidade social estar delegada a um departamento próprio ou conduzida pelo RH ou Comunicação, hoje fazem parte do “core” da estratégia empresarial e ganho de competitividade. O tom precisa ser dado pelas lideranças e é transformador quando parte do discurso genuíno do CEO, para que as empresas logrem êxito em um mundo cada vez mais complexo e desafiador. As empresas têm uma “razão social” e ela nunca foi tão urgente.

Antes, tarefas delegadas aos Estados e Nações, os limites de como agir e produzir eram dados apenas através de leis e marcos regulatórios. Mas, a sociedade já aprendeu a questionar a prática empresarial, mesmo sem normas impostas pelos governos. Além disso, em 2016 um levantamento feito pela ONG Global Justice Now comparou o Produto Interno Bruto ao faturamento das maiores empresas globais e apontou que, das 100 maiores economias mundiais, 69 são empresas e 31 são países. O que aumenta a responsabilidade das lideranças corporativas em provocar as mudanças que o mundo precisa.

Um vírus que, a partir da China, mudou o jeito da humanidade viver em todo o planeta, mostra o que a nossa geração tinha esquecido. Somos uma sociedade global, estamos interligados e o que um faz pode impactar a vida de todos. É urgente a necessidade de desenvolvimento da consciência coletiva, para o coletivo. Assim como o novo coronavirus, queimadas massivas na Austrália, desmatamento na Amazônia, vazamentos nucleares na Ásia, despejo de rejeitos nos oceanos e outras diversas ações impactam a vida dos seres vivos na Terra. O discurso de “Salve o Planeta”, precisa mudar para “Salve a Humanidade”, pois é ela que está em jogo.

(*Diretor Estádio Mineirão)