As medidas de isolamento impostas no combate à pandemia do novo coronavírus podem levar seis mil bares e restaurantes de Belo Horizonte à falência, segundo estimativa do presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Ricardo Rodrigues. 

“Temos 22 mil estabelecimentos hoje em Belo Horizonte. É provável que 30% não consigam reabrir. Isso é muito triste, é muito ruim. Em um primeiro momento, logo quando foi decretado o fechamento por tempo indeterminado dos estabelecimentos, colocamos parte de nossos funcionários em férias. Paralelamente, o governo federal criou a Medida Provisória dos Salários (MP 936, que permite a redução da carga horária e salário dos colaboradores). Entretanto, essas medidas são paliativas.”, destacou Rodrigues.  

O  empresário Tulio Montenegro, dono Chef Tulio Internacional Butiikin, no bairro Horto, região Leste de Belo Horizonte, estuda possibilidades para reabrir a casa com segurança. 

“Eu tenho 72 anos. Minhas cozinheiras têm 65 e 63. O garçom do almoço, que está comigo há anos, tem 72. Estamos todos no grupo de risco da Covid-19. Resumindo: estou completamente fechado há quase 60 dias. Acredito que no mínimo 80% dos empresários do setor de alimentação fora do lar se encontram na mesma situação que a minha”, lamentou o empresário.

Esperança

O cenário de incertezas é mais um obstáculo a ser enfrentado. Mas, de acordo com Ricardo Rodrigues, o setor está esperançoso em Belo Horizonte com a expectativa de flexibilização do comércio a partir do dia 25 de maio.

“A nossa expectativa é que mesmo com as regras, a partir do dia 25, a gente consiga ver um cenário melhor. É muito boa a possibilidade de ter uma data para trabalhar. Sem data estava complicado. Agora, a gente tem certeza que conseguiu salvar muito emprego, já que o empresário pode programar a reabertura”, disse Rodrigues. 

Em Belo Horizonte, o prefeito Alexandre Kalil determinou o fechamento de bares e restaurantes, entre outros estabelecimentos, no dia 20 de março. Foi uma das primeiras medidas apresentadas na capital mineira para evitar a propagação da Covid-19. 

Sem apoio

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informou que tem previsão de queda de receita de R$ 1 bilhão para 2020, até o momento, e por isso não há possibilidade de concessão de benefícios a setores econômicos até que se tenha melhores condições de prever o encerramento do ano. 

A PBH destacou ainda que, embora essa situação seja uma preocupação da Prefeitura -  que já está conversando com setores econômicos de diferentes segmentos e estudando as demandas -  a prioridade, agora, é com despesas relacionadas à assistência à saúde dos cidadãos.