Uma crise sem precedentes torna atual o jargão “nunca antes na história desse país”, muito usado pelo operário, ex-presidente e agora acusado de corrupção Luiz Inácio Lula da Silva. O petista foi acordado na última sexta-feira (4) pela Polícia Federal e levado para depor numa sala do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

“Hoje, me senti prisioneiro”, descreveu o petista no fim da tarde, em forte reação à mobilização da PF e às acusações de recebimento de propina por meio de obras e reformas num sítio em Atibaia e no tríplex no Guarujá (SP). Os imóveis seriam de Lula ou teriam sido utilizados por ele. O depoimento durou mais de três horas. Há ainda a suspeita de que empreiteiras pagaram pelo armazenamento de objetos pessoais de Lula. Para os federais, há indício de ocultação de patrimônio.

Foi a 24ª fase da operação “Lava Jato”. Buscas foram feitas na sede do Instituto Lula e na residência de familiares e amigos do petista. Para Lula e a presidente Dilma Rousseff, não há motivos para que o ex-presidente seja alvo da “Lava Jato”. Para o Ministério Público Federal e para o juiz Sergio Moro, motivos não faltam. O MPF vê indícios de que Lula se beneficiou do esquema de desvio de recursos na Petrobras.

A busca por evidências que comprovassem as suspeitas contra o ex-presidente ocorreu um dia após vir à tona uma possível delação premiada do senador Delcídio do Amaral, que implica Dilma e Lula.

Instituto

Em uma das linhas de investigação, o MPF apura repasses feitos pelo Instituto Lula para duas empresas de filhos do ex-presidente, a G4 e a FlexBr. “O Instituto Lula pagou mais de R$ 1 milhão para a G4 do filho do ex-presidente”, afirmou o procurador da República Carlos Fernando Santos de Lima.

Os investigadores apuram ainda se os pagamentos foram realizados por serviços prestados ou forma de ocultar propina. O Instituto Lula e a LILS Palestras receberam R$ 30 milhões de empresas, entre elas as maiores empreiteiras acusadas de corrupção e cartel na Petrobras – OAS, Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, UTC e Queiroz Galvão.

“Investigamos se houve prestação de serviços ou se isso não é apenas trian-gulação para benefício da família do ex-presidente”, afirmou o procurador.

Segundo Carlos Lima, os pagamentos à Lils Palestras e as doações ao Instituto Lula abrangem o período em que o petista foi presidente e mesmo após o período de oito anos em que ele ocupou o Palácio do Planalto. “Estamos analisando evidências de que o ex-presidente e família receberam vantagens para eventual consecução de atos dentro do governo. É uma hipótese investigativa. Existem evidências de pagamentos de vantagens. Não há nenhuma motivação plausível para esses pagamentos de vantagens”.

Imóveis

“Temos os favores feitos pelas empreiteiras OAS e Odebrecht em um sítio (em Atibaia) que estamos investigando a propriedade, mas acreditamos, até o momento, ser do sr. Luiz Inácio. E também temos bem claro que houve pagamentos de benfeitorias no tríplex. Outros dados, inclusive, beneficiando familiares, também estão sob investigação”, afirmou.

*Com Agência Estado e Folhapress